Da Folha de S.Paulo – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi surpreendido pela decisão do presidente Lula (PT) de enviar à Casa, nesta terça-feira (31), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
De acordo com interlocutores consultados pela reportagem, Alcolumbre e Lula não se falaram diretamente a respeito do envio da mensagem antes de a informação se tornar pública. Até a tarde desta terça, a indicação ainda não havia sido recebida oficialmente pelo Senado.
O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou à reportagem que não sabe quando será marcada a sabatina de Messias no colegiado e que ainda não conversou com Alcolumbre sobre o assunto.
Com a proximidade do feriado de Páscoa e o fim da janela partidária, a semana está esvaziada no Senado —as sessões ocorrem de forma semipresencial.
Messias já afirmou a senadores com quem se encontrou que gostaria de ter a oportunidade de conversar com Alcolumbre. O recado foi levado ao presidente do Senado, mas ele desconversou. O senador indicou que esperaria mais um pouco para decidir sobre a sabatina e que conversaria com Messias em outro momento.
De qualquer forma, apoiadores de Messias na Casa afirmam que sua situação está melhor agora do que em relação a novembro, quando o anúncio do nome do advogado-geral também foi feito sem aviso a Alcolumbre, que recebeu mal a indicação e passou a trabalhar contra o escolhido. O presidente do Senado queria emplacar o aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no STF.
O cálculo feito nos bastidores é de que Messias tem hoje cerca de 56 votos favoráveis entre 81 senadores.
Como mostrou a Folha, porém, aliados de Alcolumbre afirmam que, diferentemente do termômetro governista, a resistência ao indicado de Lula, na verdade, cresceu na medida em que avançaram as investigações do esquema do Banco Master, com a revelação de envolvimento de dirigentes do centrão no escândalo.
Há cerca de um mês, Alcolumbre afirmou a um senador que Messias tinha maioria apertada de três votos, segundo a reportagem apurou.
Uma vez indicado formalmente, Messias precisa passar por sabatina na CCJ e receber a maioria absoluta de votos no plenário, ou seja, ser aprovado por ao menos 41 senadores em votação secreta.












