Do UOL – Carlo Ancelotti diz que quer levar para a seleção brasileira a energia do Carnaval, mas sem abrir mão de organização e humildade.
Em entrevista ao jornal italiano Gazzetta Dello Sport, o técnico afirmou que a seleção precisa traduzir em campo o clima de festa do país. “Temos de levar para a seleção a energia e a alegria que caracterizam a festa de um povo fabuloso, com organização e humildade”, disse.
Ancelotti avaliou que o Brasil tem talento no ataque e intensidade no meio, mas precisa ajustar o sistema defensivo. “Estamos trabalhando na organização… se conseguirmos organizar a fase defensiva, estamos lá [entre os favoritos ao título]”, afirmou, citando Marquinhos e Gabriel Magalhães como destaques entre os zagueiros.
Para o treinador, a pressão por encerrar o jejum de títulos mundiais do Brasil desde 2002 é parte do pacote do cargo. “Há uma grande pressão, que significa também grande responsabilidade e grande motivação”, disse.
O treinador também elogiou a estrutura de treinos e a logística da seleção o impressionaram no primeiro ano de trabalho. “Começo pelo contrário: não me surpreendeu a paixão das pessoas pelo futebol, mas a organização da CBF, a federação. Incrível”, declarou.
Ancelotti celebrou voltar a viver um Mundial na região de Nova Jersey, onde esteve na Copa de 1994 com a Itália. “Gosto dessa coincidência cabalística”, afirmou, ao lembrar que, naquele ano, a equipe de Arrigo Sacchi perdeu na estreia e chegou à final justamente contra o Brasil.
Neymar, ausência de um “10” e cenário do Mundial
O técnico falou sobre Neymar e disse que o atacante ainda se recupera da lesão na panturrilha, mas está motivado para voltar. “Ele está se recuperando. E tem muita vontade de fazer isso. Não sei se estará pronto para o primeiro jogo, mas para o segundo, sim”, afirmou.
O técnico já havia falado sobre Neymar na entrevista coletiva de ontem, antes da partida contra o Marrocos. Ele previu que o atleta voltaria a treinar com o grupo na próxima semana.
Ancelotti também comentou a falta de um camisa 10 clássico no elenco e disse que pretende se adaptar. “Sim, mas a gente se adapta. Na minha vida eu sempre me adaptei, vou fazer isso também desta vez”, declarou.
Sobre o torneio, ele projetou uma disputa aberta, sem um favorito claro, e com várias seleções no mesmo nível. “Vai ser bonito. Sem um favorito claro, mas com muitos candidatos ao título… prevejo equilíbrio e qualidade”, disse.
Contrato até 2030 e documentário com Sorrentino
Ancelotti afirmou que a renovação de contrato até 2030, sem amarrar o vínculo apenas ao resultado, foi um sinal de confiança. “Para mim foi uma injeção de grande confiança… é a primeira vez [que faço algo do tipo]”, disse.
Ele também revelou como surgiu a ideia de um documentário com o cineasta Paolo Sorrentino. “Eu estava de férias na Sardenha, encontrei ele e começamos a falar um pouco de futebol. A ideia surgiu e agora estamos seguindo em frente”, contou.














