Do UOL – Defender o título e erguer a taça da Copa do Mundo duas vezes seguidas tornou-se uma das missões mais complexas na história do evento. Desde que o Brasil conquistou o seu segundo título consecutivo, no Chile em 1962, nenhuma outra seleção no planeta conseguiu repetir o feito. É um tabu histórico – que já dura mais de seis décadas – mas que tem a Argentina mais próxima de desafiá-lo, depois da classificação para as semifinais com a vitória contra a Suíça.
A equipe comandada por Lionel Messi tem sofrido nos duelos da fase decisiva, mas segue viva no Mundial. Após triunfos apertados contra Cabo Verde e Egito, os argentinos venceram ontem a Suíça por 2 a 1 na prorrogação, em Kansas City, e chegaram à semifinal para enfrentar a Inglaterra.
Os argentinos abriram o placar com Mac Allister ainda no começo do jogo. Com a vantagem, a seleção de Lionel Scaloni adotou uma postura defensiva, fato que gerou o empate europeu com Ndoye, no segundo tempo. O caminho para a classificação ficou mais simples após a expulsão de Embolo por simulação.
A Suíça conseguiu segurar até a prorrogação, mas a Argentina foi para cima e marcou com Julián Álvarez após acertar um belo chute. Nos acréscimos, Lautaro Martínez aproveitou contra-ataque e matou o jogo: 3 a 1. Restam dois obstáculos até a defesa do título.

A era dos bicampeonatos
Na história dos Mundiais, apenas duas nações conseguiram a glória de ser bicampeãs de forma consecutiva. A primeira a manter a hegemonia por oito anos foi a Itália, que dominou o futebol na década de 1930 ao vencer as edições de 1934 e 1938.
Duas décadas depois, a seleção brasileira repetiu a façanha. Após encantar o mundo na Suécia em 1958, o Brasil confirmou sua hegemonia no Chile em 1962, superando até mesmo a ausência por lesão de Pelé durante o torneio para carimbar o último bicampeonato em sequência da história.
Desde aquele triunfo em Santiago, o topo do pódio mudou de mãos a cada quatro anos, evidenciando o equilíbrio e o aumento da competitividade no futebol internacional. Nas décadas de 1960 e 1970, o mundo viu a Inglaterra vencer em casa, o Brasil alcançar o tricampeonato em 1970, e a força europeia da Alemanha Ocidental e a raça da Argentina dividirem as glórias seguintes.
Nos anos 1980 e 1990, a alternância seguiu viva com os títulos da Itália (1982), o brilho de Maradona com a Argentina em 1986, a revanche alemã em 1990, o tetracampeonato brasileiro nos Estados Unidos e a consagração da França em 1998. Já no século 21, o padrão se manteve inalterado: o Brasil levou o penta em 2002, seguido pelos triunfos europeus de Itália, Espanha, Alemanha e França, até que a Argentina voltasse a erguer a taça no Qatar, em 2022.
As seleções que bateram na trave
Ao longo desses 64 anos de tabu, algumas equipes chegaram perto de quebrar a “maldição dos títulos consecutivos”. Três seleções conseguiram a façanha de retornar à final na edição seguinte para defender a sua coroa, mas todas acabaram amargando o vice-campeonato.
A Argentina de Maradona, campeã em 1986, voltou à decisão em 1990, mas perdeu a taça para a Alemanha. O próprio Brasil, após reencontrar a coroa em 1994, chegou à final de 1998, mas foi superado pela inspirada seleção francesa. O caso mais recente veio com a própria França que, após vencer em 2018, fez uma final épica contra a Argentina em 2022, caindo apenas na disputa por pênaltis.

Três finais consecutivas
Duas seleções chegaram à final da Copa três vezes seguidas, algo ainda mais difícil. A Alemanha foi vice em 1982 e 1986, depois ganhou em 1990. O Brasil faturou em 1994, perdeu a decisão de 1998 e recuperou o título em 2002.








