Por Lauro Jardim, de O Globo – Agora que foi revelado que recebia em sua conta-corrente dinheiro depositado pela Maridt (que até ontem supunha-se que pertencia a seus dois irmãos, ao menos formalmente), Dias Toffoli resolveu vir a público assumir que isso ocorreu porque ele é também sócio da empresa.
Tirando o fato de que só abriu essa informação depois de ver sua casa desabando, Toffoli tem ainda muito o que se explicar — se é que explicações existem. E deveria fazê-lo rápido.
Três exemplos.
*Os depósitos na sua conta bancária correspondem ao mesmo percentual de participação que ele detinha na Maridt? (Um percentual, ressalte-se, até agora desconhecido: o seu nome não aparece nos dados cadastrais que constam na Junta Comercial de São Paulo, uma vez que a Maridt é uma sociedade anônima). Há suspeita entre os investigadores que o percentual depositado não tem relação com a participação que oficialmente o ministro possui.
*Por que Toffoli, sabendo que o relatório da PF indica que ele e Daniel Vorcaro se falavam pelo telefone, não vem a público dizer com todas as letras que nunca trocou ligações com o ex-banqueiro? Em nota que o seu gabinete divulgou, Toffoli afirma que a PF faz “ilações” (“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”). Por que, em vez de tergiversar, Toffoli não desfaz de uma vez por todas com as interrogações que jogaram sua reputação no chão?
*Por que, sabendo que fez negócio diretamente com o primo de Daniel Vorcaro — com quem, aliás, trocava mensagens —Toffoli não se declarou impedido de assumir a relatoria do Caso Master no fim de novembro de 2025? Por que, afinal, aceitou a relatoria? Por que se manteve nela depois de tudo o que foi descoberto desde dezembro? Por que que não sai?
Não deveria faltar mais nada para que Toffoli se afaste do caso Master imediatamente, sob pena de desmoralização do STF.












