Do Uol – O governo brasileiro voltou a rechaçar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, no último sábado (3), durante reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta tarde.
Em discurso, o Itamaraty afirmou que não pode “aceitar o argumento de que o fim justifica os meios”. “As Nações Unidas estabelecem como um pilar da ordem internacional a proibição do uso de força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, exceto em circunstâncias estritamente proporcionadas”, afirmou embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil no conselho.
O governo brasileiro não citou diretamente o presidente Nicolás Maduro, mas deixou o tom crítico. “[As diretrizes da ONU] não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifica o uso de forças ou o alteração ilegal de um governo”, afirmou Danese.
Maduro foi levado à Justiça norte-americana, onde enfrentará acusação de tráfico internacional, entre outras. Disse que validar o ataque reforça “a possibilidade de dar ao mais forte o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até de ignorar as soberanias nacionais, impondo as decisões a serem tomadas pelos mais fracos”, argumentou o Brasil.

No sábado, o presidente Lula (PT) já havia dito que os ataques “ultrapassam uma linha inaceitável”. Nas redes sociais, o presidente brasileiro classificou a ofensiva como “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
Na fala, o país lembrou ainda intervenções passadas na continente. “Intervenções armadas no passado tiveram consequências profundamente negativas e duradouras. Contrárias à liberdade e à democracia, essas intervenções produziram regimes autoritários e violações sérias dos direitos humanos, deixando, como resultado lamentável, milhares de mortos, prisioneiros políticos, pessoas torturadas e pessoas desaparecidas, cujas famílias ainda hoje procuram seus amados.”
“A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível. O uso da força em nossa região evoca capítulos da história que acreditamos termos deixado para trás e coloca em perigo o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação.”
“Precisamos evitar que a lei da força se sobreponha à força da lei.” – Sérgio Danese, representante do governo brasileiro, em fala no Conselho de Segurança na ONU
O governo brasileiro vê a ação como uma interferência dos EUA na região e teme que chegue ao Brasil. Aliados do presidente Lula (PT) têm apontado que defender o direito soberano da Venezuela vai além do país vizinho: para eles, se trata, também, de defender toda a região.
O Brasil não é membro permanente do Conselho de Segurança. Isso o impossibilita de votar nas deliberações do grupo. Entretanto, é permitido ao país se manifestar em reuniões como a de hoje.
A reunião de hoje foi solicitada pela Colômbia. Além do país, a própria Venezuela também pediu a convocação do encontro, no que foi apoiada por Rússia e China.
Atualmente, 15 membros compõem o Conselho de Segurança. Cinco são permanentes: China, EUA, França, Reino Unido e Rússia. Outros 10 ocupam assentos rotativos: Bahrein, Colômbia, Congo, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália, que hoje preside o grupo.








