Com informações do G1 – O operador de máquinas brasileiro Robson Gonçalves de Oliveira, de 36 anos, ganhou a capa dos principais jornais do mundo na segunda-feira (20) ao ajudar um corredor norte-americano a completar a Maratona de Boston, nos Estados Unidos.
Perto de bater sua melhor marca pessoal em corridas de rua, Oliveira ajudou a carregar o engenheiro Ajay Haridasse na reta final da competição com a ajuda de outro corredor, o britânico Aaron Beggs.
Os três cruzaram a linha de chegada juntos. Ele e o britânico foram aclamados pelo público e estão sendo chamados pela mídia norte-americana de “heróis e superstar da Maratona de Boston” pelo gesto de generosidade.
Com dez maratonas no currículo, Robson Oliveira desembarcou nesta quarta-feira (22) no Brasil direto para o trabalho, em uma indústria metalúrgica de São Bernardo do Campo.
Em entrevista ao g1 e à TV Globo, ele disse que o gesto generoso faz parte da filosofia dele de corredor.
Foi uma decisão muito rápida. Eu precisava de alguns segundos para bater meu melhor tempo, mas vi o rapaz caído no chão e decidi ajudar. Naquele momento, precisava da ajuda de outra pessoa. Na hora, pensei: ‘Meu Deus, se alguém parar, paro também e o ajudo’. E deu tudo certo. Conseguimos carregá-lo até o final.
— Robson Oliveira
O corredor afirmou ainda que “esse é o espírito [da maratona] de Boston e da corrida, do esporte” e é isso que procura fazer. “Dois são mais fortes que um. Ainda mais depois de correr uma maratona. Deus ajudou que o britânico parou também”, disse.
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Trajetória de corredor
Robson Oliveira é corredor há cerca de 10 anos. Ele corria apenas duas ou três vezes por semana, uma distância máxima de cinco quilômetros.
Ao longo do tempo, foi se apaixonando pela corrida e, em 2019, fez sua primeira maratona em São Paulo.
A partir daí, começou a treinar e sempre teve o sonho de correr a Maratona de Boston, considerada a maior do mundo entre os corredores amadores.
“É a maratona mais antiga do mundo. E, para chegar nela, precisa se classificar antes em outra maratona. E não consegui índice para 2023 em Brasília. Porque é uma corrida que, além do seu desempenho, depende da quantidade de inscritos na sua faixa etária”, contou.
Então, de 2024 para cá, ele vinha treinando mais focado e conseguiu finalmente o índice na Maratona do Rio de Janeiro, em 2024.
“Consegui fazer 17 minutos abaixo do índice de corte e já sabia que ia conseguir correr Boston. Fiz ano passado a minha primeira maratona lá, junto com um amigo. Ano passado, finalizei a prova em 2 horas e 45 minutos. Foi uma prova muito boa e de emoção gigante”, relembrou.
A meta para a maratona deste ano em Boston era superar as 2 horas e 43 minutos que ele conseguiu na de Buenos Aires, na Argentina.
“Treinei muito para bater esse meu tempo de Buenos Aires. Meu sonho é correr abaixo de 2 horas e 40. No final da prova deste ano em Boston eu comecei a sentir cansaço e não ia conseguir mais bater as 2 horas e 39 que eu queria. Então, o plano era manter o índice de Buenos Aires”, disse.
Ele estava conseguindo manter o ritmo para superar em alguns segundos seu recorde pessoal, quando se deparou com a cena de Ajay Haridasse perdendo força na reta final da prova.
“O Ajay estava em colapso e não conseguia ficar em pé. A única maneira de ele completar era se rastejar ou rolar até a linha de chegada. Faltavam apenas 200 a 300 metros, acho. Graças a Deus o colega inglês parou e eu não tive dúvidas em também ajudar. Porque nenhum de nós ia conseguir fazer nada sozinho”, afirmou.
Sem falar inglês para se comunicar com os outros colegas de prova, Oliveira só conseguiu dizer palavras de incentivo para que o engenheiro tivesse forças para ao menos caminhar até o final do percurso.
“Eu disse pra ele: ‘up, up and walking’. Nós estávamos muito exaustos ali e eles não conseguiram dizer nada. No momento que cruzamos a linha de chegada, já tinha uma equipe médica preparada para socorrê-lo. Mas eu também desabei após cruzar a linha, porque estávamos exaustos. E a cadeira de rodas pra ele acabou ficando pra mim e depois trouxeram outra pra ele”, contou.
O herói da Maratona de Boston disse que, após a corrida, ganhou todos os exames de saúde completos da organização da prova para ter certeza de que poderia voltar ao Brasil em segurança.
“Na Maratona do Rio, eu já tinha feito com um amigo. Eu carreguei ele nos últimos 200 metros. E isso não tem nada a ver com herói. É força de Deus e Jesus. Toda honra e toda glória deve ser pra ele”.
Oliveira disse que já está preparado para a Maratona de 2027, mas antes vai tirar um período de 10 dias de descanso antes de iniciar o próximo ciclo de treinos.
A próxima maratona dele é em julho. Os treinos são revesados com o trabalho em uma empresa de montagem de caminhões em São Bernardo.








