Por Ricardo Antunes – Sem conseguir administrar direito os caprichos no trato com aliados, a governadora Raquel Lyra (PSD) poderá pagar um preço alto caso não consiga o apoio definitivo da Federação União Progressista.
A aliança terá reflexo direto no tempo de propaganda eleitoral e sobretudo nas preciosas inserções. Isso porque os cálculos são feitos com base nas bancadas federais eleitas em 2022 pelos partidos aliados de cada candidatura.
A Justiça Eleitoral divulgará a divisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita até o dia 4 de agosto, mas já se tem uma ideia conforme o número de deputados federais que cada um tem na base.
Raquel teria 206 parlamentares na base, enquanto o ex-prefeito João Campos (PSB) possui 194. Todavia, a Federação representa 106 deputados (59 do União Brasil e 47 do PP), ou seja 51,4% da base governista.
O que a levaria a ter quase cinco dos dez minutos de propaganda eleitoral e metade das inserções caso feche com a Federação, ou cerca de dois minutos e 20% das inserções se não viabilizar o apoio.
A única estratégia para minimizar a perda seria fechar com o PL, que possui 99 deputados federais e que até apoiou a governadora no início da gestão. Mas o apoio da sigla traria a pesada relação direta com o bolsonarismo, algo que Raquel procura minimizar.
BASE DE RAQUEL
Além da Federação União Progressista, a governadora conta com seu próprio partido, o PSD, que elegeu 42 parlamentares em 2022. A Federação PSDB-Cidadania acrescenta 18 à conta. Somam-se ainda os 18 do Podemos (sendo 12 eleitos pela própria sigla e outros seis parlamentares do PSC, em função da incorporação da legenda).
Um caso curioso ocorre com a recém-criada federação PRD/Solidariedade. O PRD surge da fusão entre Patriota e PTB, que elegeram quatro e um deputados, respectivamente.
Por sua vez, o Solidariedade, que elegeu quatro, incorporou o PROS, que havia eleito três. Nessa soma, a federação contribuirá com 12 parlamentares.
Fecham a conta da governista o Avante (sete deputados) e o Novo (três). Este último, entretanto, não atingiu a cláusula de desempenho na eleição anterior, devendo ficar de fora do cálculo total.
BASE DE JOÃO E IVAN

Caso raro das últimas duas décadas, o PSB enfrentará uma eleição onde não terá o maior tempo de televisão. A base de João Campos conta principalmente com a federação PT/PCdoB/PV, responsável por somar 81 parlamentares. Na sequência, vêm MDB (42 deputados federais), Republicanos (40) e PDT (17).
O PSB, partido do próprio João, é o que menos contribui, já que fez uma bancada de apenas 14 parlamentares em 2022.
Por sua vez, a federação PSOL/Rede elegeu 14 deputados federais no último pleito. O grupo lançará o ex-vereador do Recife, Ivan Moraes (PSOL), como candidato a governador.
FORMA DE CÁLCULO
A propaganda eleitoral iniciará em 16 de agosto, após o prazo das convenções partidárias, e segue até 30 de setembro para os cargos que concorrem ao primeiro turno.
É das principais formas de divulgação de candidaturas, e nos últimos anos vêm dividindo atenções com a internet.
São dois horários por dia de dez minutos cada, alternando eleições presidenciais com os candidatos a governador e senador. Assim, 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais, enquanto os outros 10% são igualmente divididos entre candidatos de partidos que superaram a cláusula de barreira.
Ou seja, siglas como UP, Democracia Cristã e PSTU não entram para o cálculo.










