Por Carlos Madeiro, do UOL – O anúncio de que o governador de Goiás Ronaldo Caiado será o candidato à Presidência pelo PSD não foi bem digerido no Nordeste, onde o partido mantém relações próximas com Lula e com o PT e, na maioria dos estados, deve montar chapas apoiando a reeleição do presidente.
Ontem, o pré-lançamento foi ignorado pelos líderes do PSD nos nove estados da região, que preferiram evitar menções a Caiado em suas redes sociais —o que demonstra a dificuldade que ele enfrentará para formar palanque até mesmo onde o partido será cabeça de chapa.
O melhor exemplo é Sergipe, onde o governador Fábio Mitidieri (PSD) deixou claro que, mesmo que o partido confirme a candidatura em julho, vai caminhar com Lula. Ao UOL, a assessoria de Mitidieri disse que já informou a decisão ao presidente do PSD, Gilberto Kassab.
“Diante das especificidades do contexto local e visando a manutenção da estabilidade institucional e dos avanços em curso no estado, o governador decidiu manifestar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou a equipe do governador.
“Sem comentários”
O outro estado chefiado pelo PSD no Nordeste é Pernambuco, onde a governadora Raquel Lyra demonstra um esforço claro de aproximação a Lula, com direito a aparição em vídeo ao lado dele e de Janja no Galo da Madrugada, no Carnaval. Ela entrou no PSD, saindo do PSDB, buscando essa ponte.
Procurada pelo UOL, a assessoria de Raquel disse que ela não comentou a escolha do nome de Caiado.

Aliados ouvidos pela coluna, porém, apostam que Raquel não vai pedir voto, nem cederá palanque para Caiado. A expectativa é que ela repita a neutralidade de 2022, e conte com apoio de nomes petistas e bolsonaristas no estado.
Além disso, em Pernambuco, o presidente do PSD é André de Paula, ministro da Pesca e Aquicultura, que deve assumir amanhã a pasta da Agricultura e Pecuária no lugar de Carlos Fávaro, também do PSD. Fávaro deixa o governo para tentar a reeleição ao Senado pelo Mato Grosso.
Pegou mal
Pessoas do PSD ou ligadas ao partido conversaram com a coluna ontem e apontaram que a escolha de Caiado acabou sendo péssima para partidários nordestinos por manter uma relação estreita com o bolsonarismo.
Eles afirmam que Caiado deve ser considerado “tóxico” para muitos candidatos na região, especialmente os que vão para disputas majoritárias com chances de vitória .
Outro ponto abordado é que não há como abrir palanques para alguém atacar Lula na região. “Caiado ataca Lula desde 1989, não vai ser nunca um candidato de centro, como se falava”, disse um aliado.
O cenário atual do PSD no Nordeste hoje se assemelha do MDB em 2022, quando o partido lançou Simone Tebet à Presidência, mas boa parte dos líderes na região apoiaram Lula ainda no primeiro turno. O caso mais emblemático é o de Alagoas, único em que o MDB venceu a eleição, com Paulo Dantas. Desde o começo da campanha, os Calheiros —que comandam o partido no estado— apoiaram Lula.
















