De O Globo – Um alto funcionário do governo de Cuba afirmou, neste domingo, que a ilha está se preparando para um possível ataque militar dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que ressalta que o país “não tem disputa” com Washington e deseja evitar um confronto. Em entrevista à NBC, o vice‑ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, disse que “nosso Exército sempre está preparado” e que, “de fato, nestes dias se prepara para a possibilidade de uma agressão militar”, mas acrescentou: “Esperamos de verdade que isso não aconteça”.
Fernández de Cossio afirmou também que Cuba “não tem disputa com os Estados Unidos”, mas que o país tem “a necessidade e o direito de se proteger” e que está disposto a negociar. A entrevista foi divulgada enquanto Cuba luta para restabelecer o fornecimento de energia após o segundo apagão nacional em menos de uma semana, consequência de uma rede elétrica antiga e da falta de combustível, agravada por um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA.

A situação energética do país se deteriorou desde que seu principal aliado e fornecedor de petróleo, a Venezuela, sofreu uma intervenção militar americana no início de janeiro, com a captura do presidente Nicolás Maduro, um aliado próximo de Havana.
Na entrevista, gravada antes do último apagão, o vice‑chanceler disse que o governo cubano está “agindo da maneira mais proativa possível para enfrentar a situação”, e que espera que o combustível chegue ao país, evitando que o boicote imposto pelos EUA “dure para sempre”.
A energia já começou a voltar em algumas áreas da capital Havana, mas outras regiões permaneciam no escuro na manhã deste domingo, após o Ministério de Energia ter relatado um “colapso total” do sistema elétrico nacional na véspera.
Desde o início de 2024, Cuba registrou sete apagões em nível nacional, um sinal do agravamento da crise econômica e energética. Esses cortes frequentes dificultam a vida cotidiana, com moradores preocupados que alimentos nas geladeiras possam estragar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a países que vendam petróleo a Cuba, e desde 9 de janeiro a ilha não recebe petróleo bruto – o que intensificou ainda mais a escassez de combustível.












