Por Ricardo Antunes – A sucessão da governadora Raquel Lyra (PSD) virou uma novela mexicana. Após meses de especulações e um desfecho traumático com a retirada de Miguel Coelho (União Brasil) da vaga ao Senado, deveria ser a hora de juntar os cacos.
Mas os últimos dias do prazo das convenções reservaram uma reviravolta, com o deputado Mendonça Filho (PL), aliado da governadora, podendo disputar o Senado, e não a reeleição.
Nesse jogo de incertezas e imprevisibilidade, houve ganhos e perdas por todos os lados. Os pontos aparentemente positivos são, de início, para a Frente Popular de Pernambuco, chapa de oposição liderada pelo ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). A composição foi fechada em abril, com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) para o Senado.
Curiosamente, Miguel Coelho também foi rifado do lado de lá, passou a andar com Raquel e a falar mal de João. Após a recusa, o socialista parece ter ganhado um aliado: o grupo Coelho, que clama por vingança contra Raquel a todo custo. As juras de amor eterno eram de mentirinha, bem à tradição dos nossos políticos, que adoram se trair mutuamente. Quem lembra do fechamento da chapa de João?
Outro vitorioso foi Túlio Gadelha (PSD), confirmado em uma das vagas para o Senado. Ele se filiou à sigla da governadora porque estava receoso de não se reeleger pela Federação Rede/PSOL, que tem no ativista Jones Manoel (PSOL) um nome cotado para puxador de votos.
Como manda a lógica de o candidato ao Senado ser puxado pelo governador, é natural que Túlio cresça junto com Raquel, recebendo votos de eleitores de Marília que não tolerem Humberto, e vice-versa. Resta saber se será o suficiente para superar os nomes da Frente Popular, que lideraram todos os levantamentos da corrida ao Senado nos últimos meses.
Presidente da Federação União Progressista, Eduardo da Fonte (PP) teve uma vitória neste primeiro momento, sendo confirmado para o Senado na chapa de Raquel. Não teve a ansiedade do “galeguinho”, não passou recibo de nada e terminou levando a vaga.

No entanto, não se sabe quais efeitos a rebeldia infantil de Miguel, por não aceitar a derrota, pode provocar na candidatura ao Senado da Federação.
Puxando a fileira dos derrotados e humilhados estão Miguel e o tristonho Fernando Dueire (PSD). O primeiro não aceitou a derrota e ainda articula uma vingança, costurando uma candidatura de última hora de Mendonça Filho ao Senado.
Imagina que não terá o troco de ninguém. E o segundo, que nunca teve um voto na vida, achava que seria candidato à reeleição. Uma fantasia que fazia rir muita gente em Brasília. “A governadora está comigo e eu tenho 100 prefeitos”, bradava.
A governadora Raquel Lyra pode entrar no rol dos derrotados em função do clima de instabilidade que a base do governo sofreu nas últimas semanas. A confusão armada por Miguel, a perda da Federação PRD/Solidariedade — que lhe tirou tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio — e uma relativa estagnação nas pesquisas de intenção de voto pesaram nesse cenário.
Raquel consolidou a virada sobre João Campos nos meses de maio e junho, mas manteve praticamente os mesmos índices em julho, sem crescimento. Registre-se que, nesse mesmo período, o socialista também não ampliou seus percentuais, mantendo-se atrás por diferenças de dois a seis pontos, a depender do instituto.
Ou seja, caso tivesse mantido condições ideais de temperatura e pressão, ela poderia preservar o viés de alta e entrar no mês de agosto com uma perspectiva maior de fortalecimento. Isso teria grande impacto para evitar defecções como as que ocorreram na última semana.
Agora o jogo, de fato, começa. Agosto será crucial para o resultado das urnas. Em setembro, teremos o vale-tudo.










