Por Ricardo Antunes – A derrota na indicação do pernambucano Jorge Messias para uma vaga no STF, por 42 votos a 34, envolveu quatro personagens que atuaram nos bastidores em defesa do nome e torceram pelo conterrâneo: o ex-prefeito João Campos (PSB), a governadora Raquel Lyra (PSD), o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e até o bilionário Janguiê Diniz, dono do grupo Ser Educacional.
João Campos apareceu cedo, ontem, em Brasília, e postou uma foto ao lado de Messias e do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). Como presidente nacional do PSB, ele também colaborou na articulação pela indicação de olho no aumento de seu prestígio junto ao STF. Campos é amigo pessoal dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Este último, inclusive, representou a Corte no badalado casamento celebrado em 21 de fevereiro, que movimentou a Praia de Carneiros, em Tamandaré.
Já Raquel Lyra também tinha interesse na aprovação do nome de Messias. Como advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que é pernambucano, teve papel de destaque na mediação de acordos importantes para o estado, como a indenização de moradores de “prédios-caixão” e o pagamento de precatórios do Fundef.
Ela chegou a antecipar o resultado e comemorou nas redes sociais a suposta aprovação, mas teve que apagar a postagem após a derrota no plenário.

Outro pernambucano que também trabalhou pela aprovação foi o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Hábil articulador político, com anos de experiência e ex-presidente do TCU, Múcio atendeu a uma orientação do presidente Lula e também buscou angariar votos para Messias. Ao final, foi visto ao lado de João Campos consolando o advogado, que chorou após a derrota inesperada.
O bilionário Janguiê Diniz, por sua vez, foi flagrado fazendo lobby explícito no Senado pelo repórter José Matheus Santos, do SBT News. “Ele foi meu aluno”, comentou o empresário, dono do grupo Ser Educacional, quando questionado sobre o que fazia em Brasília naquele dia.
Há 63 anos Pernambuco não tem um ministro no Supremo Tribunal Federal. O último foi Frederico de Barros Barreto, indicado por Getúlio Vargas em 1939, durante o período do Estado Novo. Barreto teve uma passagem longa e relevante pela Corte, permanecendo por 24 anos no cargo, até 1963, quando deixou o tribunal após uma trajetória marcada por decisões importantes em um dos períodos mais conturbados da política brasileira. Desde então, nenhum outro pernambucano conseguiu voltar ao STF. O jejum poderia ter acabado agora, mas terminou frustrando todos eles.









