Da Redação – Investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil apontam que o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, identificado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), possui vínculos diretos com a estrutura responsável pela produção do filme Dark Horse, documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O elo ocorre por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama. O ICB funciona no mesmo endereço da produtora do filme e subcontratou a empresa de Alex, a Favela Conectada, para um serviço de instalação de wi-fi nas periferias de São Paulo. O contrato total com a Prefeitura, sob investigação por irregularidades, soma R$ 157 milhões.
Pontos centrais do caso:
- A Conexão: Alex Leandro era sócio único da Favela Conectada até dezembro de 2025. Sua empresa recebeu pelo menos R$ 3,8 milhões do ICB, que divide sede com a produtora de Dark Horse.
- Histórico Criminal: Segundo o promotor Lincoln Gakiya, Alex possui uma extensa ficha criminal e cumpriu pena em presídios que abrigam a cúpula do PCC. Atualmente, ele está preso preventivamente, réu pelo feminicídio de sua companheira, Maria Katiane Gomes da Silva.
- Manobra Contratual: Após as primeiras denúncias sobre o contrato e a investigação do crime de feminicídio, a empresa de Alex trocou de nome e de sócio, passando para o controle de uma moradora do mesmo endereço do empresário.
Em nota, a defesa de Alex Leandro Bispo dos Santos nega “peremptoriamente” que ele integre qualquer facção criminosa e contesta a acusação de feminicídio, alegando que a morte da companheira foi um suicídio. O contrato entre o ICB e a gestão municipal segue sob apuração da Polícia Civil.
O que diz a Prefeitura de SP
“A Prefeitura de São Paulo informa que, desde dezembro de 2025, a empresa mencionada pela reportagem não atua como parceira do Instituto Conhecer Brasil (ICB) no âmbito do Programa Wifi Livre. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) ressalta que não há e nunca houve qualquer vínculo contratual direto com a empresa Favela Conectada ou seu administrador. A relação jurídica do Município se dá somente com o ICB e, de acordo com a Lei nº 13.019/2014, a escolha e gestão dos fornecedores e terceirizados são de responsabilidade unicamente da entidade parceira. Portanto, qualquer associação entre a Prefeitura de SP e o crime organizado é irresponsável e leviana. Vale ressaltar que o prefeito Ricardo Nunes assinou, em dezembro de 2024, dois decretos para romper contratos com empresas de ônibus investigadas por ligação com grupos criminosos, uma demonstração de que não é e nem será leniente com esse tipo de conduta.
Sobre o Programa Wifi Livre, todos os pontos contratados e pagos ao ICB foram devidamente instalados e estão em operação. O programa funciona normalmente na cidade e não houve nenhuma irregularidade confirmada até o momento pelas investigações em curso. Cada ponto de wifi instalado no âmbito da parceria com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) é acompanhado em tempo real e nesta quinta-feira, às 18h, dos 3.200 pontos contratados, apenas 287 estavam off-line e passavam por manutenção. Os dados podem ser consultados no link https://wifilivrecomunidades.org/sp.
Por fim, o Termo de Colaboração firmado prevê rigorosos mecanismos de fiscalização por parte da Secretaria, com foco no cumprimento do objeto, alcance de metas, indicadores de desempenho e análise da prestação de contas do Instituto. Pelas regras da parceria, o ICB tem a obrigação de fiscalizar e controlar a execução de seus subcontratados. À SMIT cabe fiscalizar o cumprimento das metas pactuadas.”
O que diz o ICB
“O Instituto Conhecer Brasil implementou o projeto do Wi-Fi nas comunidades carentes para promover a inclusão digital e reduzir as desigualdades sociais na Cidade de São Paulo.
O acesso à internet é direito fundamental de todos, cujos carentes não devem ser deixados para trás.
Na execução do projeto, a contratação da empresa Favela Conectada foi realizada, com base em critérios técnicos, operacionais e documentais.
À época, seu representante já desenvolvia atividades regulares de conectividade na comunidade de Paraisópolis, por meio da prestação de serviços para a Surf Telecom, comprovadas por notas fiscais regulares, experiência que constituiu referência e atestado de capacidade técnica para sua atuação em regiões de alta complexidade social.
Por questão de boa-fé e apoio à comunidade de Paraisópolis, o Instituto entendeu por bem em dar a oportunidade de trabalho a este prestador de serviços da própria comunidade ao invés de provocar um stress concorrencial.
Nos procedimentos de verificação realizados pelo Instituto, não foi identificado qualquer impedimento legal que inviabilizasse a contratação.
O representante da empresa encontrava-se na oportunidade apto ao trabalho honesto, livre e em situação regular perante a Justiça e, como instituição comprometida com os princípios constitucionais, com a ressocialização e sendo absolutamente contra qualquer tipo de discriminação ou preconceito em face do ser humano, o Instituto não adota práticas discriminatórias e de marginalização contra pessoas que já cumpriram suas penas e que estão legalmente reinseridas na sociedade, desde que não exista impedimento legal ao exercício de suas atividades.
Entretanto, a partir do momento em que o Instituto tomou conhecimento da investigação relacionada ao crime de feminicídio envolvendo o administrador da empresa, adotou imediatamente as medidas cabíveis para resguardar a instituição e o projeto, promovendo a rescisão da relação contratual com a empresa, que deixou de integrar a operação em dezembro de 2025.
Os serviços executados até então foram devidamente medidos e fiscalizados, sem registro de prejuízo aos recursos públicos, e o Instituto permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Questões a respeito de envolvimento do cidadão com facções criminosas são de competência policial.”












