Da Redação do Blog – O empresário João Carlos Mansur, dono da Revee Real Estate Venues & Entertainment Participações, concessionária do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, o Geraldão, no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul, é um dos principais envolvidos nas falcatruas do Banco Master.
Obras externas de melhoria da Revee no Geraldão, cuja gestão a empresa assumiu efetivamente em maio do ano passado, ´já estão se deteriorando, conforme comprovou, na sexta-feira (23), vídeo do jornalista Ricardo Antunes, editor do blog.
O prefeito João Campos (PSB) saudou com entusiasmo a concessão do Geraldão, assinada em maio de 2025, assim como fizera antes com a concessão dos parques públicos da Jaqueira, Santana, Apipucos e Dona Lindu, criticada até hoje pelos visitantes. ”Com a concessão, estamos falando não apenas de um equipamento esportivo, mas de um espaço com potencial para transformar toda a área ao seu redor”, declarou, sobre o ginásio.
João Carlos Mansur renunciou há uma semana à presidência do Conselho de Administração da Revee, quando seu fundo de investimentos, o Reag, foi liquidado pelo Banco Central. O fundo já era suspeito de intermediar operações financeiras da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), em investigação da Operação Carbono, de agosto do ano passado, comandada pela Receita Federal e Ministério Público de São Paulo, e acabou fechado no último dia 15 por operações fraudulentas com o Banco Master.

Embora a Revee não seja alvo direto das investigações sobre o Banco Master, seus principais executivos, nomeados por Mansur, Luis Davantel, primeiro, e seu sucessor, Lucas Dias Trevisan, renunciaram aos cargos, devido aos desdobramentos dos escândalos do Reag Fundo de Investimentos.
Duas das investidas da Revee no mercado esportivo deram para trás. Foi cancelada a compra de 40% do capital social do clube português da segunda divisão Marítimo da Madeira Futebol, por 15 milhões de euros. Não foi adiante, também, seu projeto de transformar numa arena para 50 mil pessoas o estádio do Canindé, da Portuguesa de Desportos, em São Paulo, de cuja SAF (Sociedade Esportiva de Futebol) a Revee é um dos sócios.
A empresa iniciou uma trajetória ousada em 2023, ao obter a concessão, por R$ 10 milhões à vista e R$ 20 milhões em investimentos, do complexo “Arena Fonte Luminosa”, em Araraquara (SP), composto pelo estádio do mesmo nome, um dos mais modernos do interior do país, o ginásio Gigantão, usado pela equipe de basquete do SESI, e um centro de eventos com capacidade para receber 30 mil pessoas em shows.
Outras investidas da Revee incluem a compra da dívida das construtoras da Arena do Grêmio, em Porto Alegre, por R$ 40 milhões, e posterior revenda pelo dobro, R$ 80 milhões, e a concessão, pelo governo de Minas Gerais, por 20 anos, ao custo de R$ 7 milhões de investimentos mínimos, da Serraria Souza Pinto, um polo cultural, turístico e de eventos em Belo Horizonte.
A concessão do Geraldão foi obtida em licitação da Prefeitura do Recife há um ano, pelo prazo de 35 anos, com o compromisso de investimentos de R$ 209 milhões em melhorias e modernização do ginásio, aparentemente não cumprido até agora, como demonstra o vídeo do jornalista Ricardo Antunes.
Veja o vídeo
Após consumir cerca de 45 milhões de reais dos cofres públicos e levar mais de um ano para ser concluída, a reforma do Ginásio Geraldão, no Recife, já levanta questionamentos e revolta. As imagens mostram a pintura bastante desgastada, desbotada com sinais de abandono. pic.twitter.com/46T3eU63dT
— Ricardo Antunes (@blogricaantunes) January 23, 2026










