EXCLUSIVO, Por Ricardo Antunes — Alvo de uma denúncia do Portal Metrópoles, a empresa Logo Caruaruense abrirá mão do contrato com a Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal e vai entregar as linhas de ônibus das quais é responsável. Essa foi a decisão que a família da governadora Raquel Lyra (PSD) tomou para evitar que o fato ganhe proporções políticas maiores. A empresa estava operando de forma irregular em Pernambuco desde pelo menos 2023, sem vistorias atualizadas e com dívidas referentes aos registros de veículos.
A própria Raquel foi estimulada por seus principais assessores a fazer um duro pronunciamento sobre o episódio, que o Palácio já vem colocando na cota de “maldades” do PSB.
A avaliação é de que a campanha de 2026 já começou, e a reação dos partidários de João Campos (PSB) seria uma forma de tentar “dar o troco” e chamuscar a imagem de seriedade que Raquel Lyra transmite à maioria da população.
Campos até hoje paga a conta de ter subestimado o episódio que ficou conhecido como o “Escândalo do Fura-fila”, que alterou o resultado de um concurso público para procurador municipal.

O caso veio à tona em dezembro de 2025, após a publicação, no Diário Oficial, da nomeação de Lucas Vieira Silva, 63º colocado na ampla concorrência, para uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD), mesmo ele não tendo concorrido originalmente nessa modalidade e estando atrás de outros candidatos habilitados. O episódio ganhou as manchetes dos principais jornais do Sul do país.
A demora do prefeito João Campos em se manifestar publicamente ampliou a pressão da oposição e da sociedade civil. A polêmica ultrapassou os limites de Pernambuco, causando desgaste nacional e sendo repercutida por veículos de imprensa de todo o país como exemplo de possível afronta aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
Nas redes sociais, o impacto também foi visível: os perfis do prefeito passaram a ser inundados por comentários cobrando explicações, transformando o episódio em um dos maiores focos de desgaste político de sua gestão.
Interlocutores do prefeito com quem conversei nesta semana admitem que João Campos demorou, e muito, para falar sobre o episódio e acabou sendo tragado pelo desgaste de uma decisão completamente equivocada.
Raquel não quer cometer o mesmo erro, principalmente numa fase em que está se recuperando nas pesquisas e fazendo entregas à população. Resta saber que dimensão isso vai tomar, já que, na política, o que vale é a versão — e não o fato.










