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Home Política

Estados Unidos dizem que ‘paciência está se esgotando’ com a Venezuela

Por Redação
31/07/2024 - 18:45
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Por G1 – O governo dos Estados Unidos criticou novamente a falta de transparência no processo eleitoral da Venezuela nesta quarta-feira (31), além de cobrar a divulgação dos boletins de urna do Conselho Nacional Eleitoral que declarou a vitória do presidente Nicolás Maduro.

“A nossa paciência e a da comunidade internacional estão se esgotando enquanto aguardamos que as autoridades eleitorais venezuelanas se esclareçam e divulguem os dados detalhados sobre esta eleição”, disse o porta-voz do governo dos EUA para assuntos de segurança, John Kirby.
AO VIVO: Eleição na Venezuela não atende padrões internacionais e não pode ser considerada democrática, diz Centro Carter

Kirby reforçou que o Centro Carter e observadores independentes divulgaram um relatório afirmando que “a eleição presidencial de 2024 na Venezuela não atendeu aos padrões internacionais de integridade eleitoral e não pode ser considerada democrática”.

O porta-voz dos EUA ainda declarou que tem “sérias preocupações sobre os relatos de vítimas, violência e prisões, incluindo os mandados de prisão que Nicolás Maduro e seus representantes emitiram hoje para líderes da oposição”. Ele também condenou a violência política e a repressão.

Protestos após reeleição de Maduro ser proclamada na Venezuela — Foto: Reuters/Samir Aponte
Protestos após reeleição de Maduro ser proclamada na Venezuela.

O Centro Carter e observadores independentes acompanharam a eleição de domingo (29), na qual o Conselho Nacional Eleitoral proclamou Maduro reeleito para um terceiro mandato.

“O Centro Carter não pode verificar ou corroborar os resultados da eleição declarados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), e a falha da autoridade eleitoral em anunciar resultados desagregados por seção eleitoral constitui uma grave violação dos princípios eleitorais”, disse o centro, em comunicado, no final da noite de terça-feira (30).
Segundo o órgão, a Venezuela “violou inúmeras disposições de suas próprias leis nacionais”:

“A eleição ocorreu em um ambiente de liberdades restritas para atores políticos, organizações da sociedade civil e a mídia. Ao longo do processo eleitoral, o CNE demonstrou um claro viés em favor do titular”.
Ao todo, 17 observadores do Centro Carter acompanharam as eleições venezuelanas. O órgão já acompanhou 124 eleições em 43 países.

O Centro Carter também listou os seguintes problemas:

  • registro de eleitores prejudicados por prazos curtos;
  • requisitos excessivos, e alguns arbitrários, para cidadãos no exterior votarem, o que resultou em um número baixo de votantes fora da Venezuela;
  • condições desiguais de competição entre Maduro e Edmundo González, da oposição;
  • tentativas de restrição da campanha da oposição durante a corrida eleitoral;
  • e falta de transparência do CNE no anúncio dos resultados
Nicolás Maduro diz que Venezuela está sofrendo uma tentativa internacional de desestabilização em reunião conjunta do Conselho de Estado, em 30 de julho de 2024. — Foto: Reprodução/Maduro no Youtube
Nicolás Maduro diz que Venezuela está sofrendo uma tentativa internacional de desestabilização.

OEA também não reconheceu

Mais cedo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) havia afirmado também não reconhecer o resultado da eleição.

Em relatório elaborado por observadores que acompanharam o pleito, realizado no domingo (28), a OEA diz haver indícios de que o governo Maduro distorceu o resultado.

Um dos principais indícios, segundo o documento, foi a demora na divulgação dos resultados, apesar de o país ter urnas eletrônicas. O texto afirma também ter havido relatos de “ilegalidades, vícios e más práticas”.

O relatório concluiu que o Centro Nacional Eleitoral (CNE), a principal autoridade eleitoral da Venezuela, comandada por um aliado do governo venezuelano, proclamou Maduro vencedor sem apresentar os dados para comprovar o resultado e afirmou que os únicos números divulgados em canais oficiais revelam “erros aritméticos”.

“Mais de seis horas após o encerramento da votação, o CNE fez um anúncio […] declarando vencedor o candidato oficial, sem fornecer detalhes das tabelas processadas, sem publicar a ata e fornecendo apenas as porcentagens agregadas de votos que as principais forças políticas teriam recebido”, diz o texto.
O relatório da OEA também afirmou que o regime venezuelano aplicou “seu esquema repressivo” para “distorcer completamente o resultado eleitoral”.

“Ao longo de todo este processo eleitoral, assistimos à aplicação por parte do regime venezuelano do seu esquema repressivo complementado por ações destinadas a distorcer completamente o resultado eleitoral, colocando esse resultado à disposição das mais aberrantes manipulações”.

Divulgação incompleta de resultado

A Venezuela foi às urnas no domingo, e, na madrugada de segunda-feira, o CNE declarou Nicolás Maduro vencedor com 51,2% dos votos. O principal candidato da oposição, Edmundo González, ficou com 44% dos votos, ainda de acordo com a Justiça eleitoral do país.

No entanto, o resultado foi anunciado com 80% dos votos apurados, e as atas de votação – documentos que registram o número de votos e o resultado em cada local de votação – não foram divulgadas pelo CNE.

A oposição venezuelana contestou o resultado e acusou o CNE de fraude. Na noite de segunda, a oposicionista María Corina Machado afirmou ter tido acesso a 73% das atas, que, segundo ela, dão vitória a Edmundo González.

O grupo oposicionista abriu um site com as atas às quais a oposição teve acesso para provar sua versão.

Uma contagem rápida independente à qual o Blog da Sandra Cohen teve acesso nesta terça-feira aponta vitória de González sobre Maduro por 66.2% a 31.2%.

Na segunda-feira (29), nove países da América Latina pediram uma reunião de emergência da OEA para discutir o resultado divulgado pelo CNE. O pedido foi feito por Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.Em uma carta conjunta, os países “manifestam profunda preocupação com o desenvolvimento das eleições presidenciais” na Venezuela e exigem uma “revisão completa dos resultados com presença de observadores eleitorais independentes que assegurem o respeito à vontade do povo venezuelano que participou de forma massiva e pacífica”.

Nesta terça, Brasil, México e Colômbia devem divulgar uma declaração conjunta cobrando pela divulgação das atas eleitorais por parte do governo.

Tags: EleiçõesEstados UnidosVenezuela
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