Da Folha de SP — A prefeitura do Rio anunciou nesta semana a criação do Programa Tolerância Zero, para fazer frente à exploração irregular do espaço público nas praias de Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, todas na Zona Sul do Rio. A medida se deu após uma série de reportagens do GLOBO, publicada a partir do último domingo, que mostrou a desordem presente no calçadão e na areia, além da exploração por facções criminosas tanto da venda de drogas, quanto do comércio ambulante. Segundo Marcus Belchior, secretário municipal de Ordem Pública do Rio, essa atuação de criminosos foi identificada pelo poder público.
Algumas facções criminosas chegam a cobrar de R$ 200 a R$ 300 por dia por pontos de venda no calçadão da nossa orla — detalhou o secretário nesta terça-feira, durante coletiva que anunciou o programa.
Ainda segundo Belchior, que estava ao lado do prefeito Eduardo Cavaliere e do secretário estadual de Segurança Pública, Victor César Santos, a “logística criminosa”, que envolve também a locação de depósitos para os ambulantes e equipamentos, movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano. Junto à Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop), houve uma reunião de alinhamento com as polícias Civil e Militar para a atuação neste novo programa.
Segundo a prefeitura, o programa começará a valer no próximo dia 16, com atuação 24 horas por dia. Serão implementados patrulhamento ostensivo, pontos de controle de acesso, ações preventivas, apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e combate aos depósitos clandestinos.
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Ao todo, 22 depósitos clandestinos foram identificados na região. Em decreto publicado em Diário Oficial nesta terça-feira, o município despropriou dois imóveis, um em Copacabana e outro em Ipanema, para serem instalados depósitos nesses endereços.
Caixas de som nas alturas de madrugada, ocupação irregular do calçadão e comércio ilegal: esse cenário foi retratado em uma série de reportagens do GLOBO. No último domingo, O GLOBO também revelou que desmoronou o “pacto de não agressão” entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV) no calçadão e na faixa de areia de Leme e Copacabana.
O cartão-postal virou palco de brigas, perseguições, revistas em celulares e até homens armados. Em jogo, o lucro com a venda de drogas e a exploração do comércio ambulante, conforme mostrado pelo GLOBO.
Manifestação na porta da prefeitura
Nesta quarta-feira, uma manifestação na porta do Centro Administrativo São Sebastião, sede da prefeitura do Rio, na Cidade Nova, foi organizada pelo Movimento Unido dos Camelôs (MUCA). Com cartazes, faixas, bandeiras e até panelas, o grupo se posicionou na Avenida Presidente Vargas e chegou a se sentar no asfalto, embaixo da passarela do metrô. Como consequência, o trânsito ficou lento na chegada ao Centro, seja pela Praça da Bandeira ou pela Leopoldina.
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Segundo Maria dos Camelôs, coordenadora-geral do MUCA, o decreto se dá em meio a um período de negociação entre os ambulantes e a prefeitura. A requisição dos camelôs, segundo ela, é de regularização dos trabalhadores e fiscalização.
Ainda segundo ela, durante essa negociação iniciada neste ano, tratava-se se um mapeamento de pontos na Zona Sul em que ambulantes poderiam se instalar. Além das restrições à orla, outra queixa dos camelôs é referente à região da Escadaria Selarón, na Lapa, ponto de concentração de turistas. O espaço passará por uma revitalização, anunciada pelo município na semana passada.
— A prefeitura criminaliza os camelôs quando diz que os camelôs estão ali e compactuando com o tráfico, com o roubo, com as coisas erradas que acontecem no espaço. Pegar todo mundo e colocar no mesmo saco: a gente não vai permitir isso — observa Maria. — Dizer que no meio dos camelôs tem gente que rouba celular, se tem, não é problema nosso, é problema do Estado. Então (que o Estado) vá investigar e vá tirar (os criminosos da rua), mas não dá para colocar todo mundo no mesmo lugar e tirar todo mundo, dizendo que está todo mundo errado.
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Um bom exemplo, cita Maria dos Camelôs, vem de quando a prefeitura ouviu as reclamações dos ambulantes e cadastrou 198 trabalhadores que atuavam na região da Uruguaiana, no Centro. Segundo ela, 75 foram autorizados a atuar no local pelo município (número menor do que o esperado pelo MUCA).
A regularização associada à fiscalização atuante teve uma boa consequência: afastou quem fazia cobrança semanal em cima dos ambulantes pelo uso do espaço público na Uruguaiana, conforme também observado pela representante do Movimento dos Camelôs.








