Por Ricardo Antunes – A filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD fortalece a possibilidade do partido ter candidato próprio à Presidência da República, obrigando a governadora Raquel Lyra (PSD) a estar em oposição ao presidente Lula na campanha da reeleição, tudo o que ela não queria.
Vai ser praticamente impossível para Raquel repetir a fórmula de sucesso adotada no pleito de 2022 de ficar em cima do muro entre Lula e Bolsonaro, entre esquerda e direita radicais, o que ajudou sua eleição no segundo turno.
Obrigada a apoiar um candidato do seu partido e ficando longe, dessa forma, da “neutralidade”, é bastante provável que Raquel não irá cometer a sandice de hostilizar no palanque a reeleição do presidente da República, por ser ele dono de 67% das preferências do eleitorado pernambucano.
Deverá prevalecer, no palanque dela, a prudência de sem ele, mas não “contra” ele, apesar de obrigada a pedir votos para o candidato do PSD.

Depois de faltar, propositadamente, a duas agendas de Lula em Pernambuco, no ano passado, a governadora se reaproximou do presidente e intensificou seu discurso do apoio presidencial a realizações do seu governo, fazendo sempre questão de mencionar a ajuda federal.
Em março de 2025 Raquel trocou o moribundo PSDB por um partido forte, com cofre recheado e amplo tempo de tevê, começando a pavimentar o caminho da reeleição. Acrescentou a proeza de levar com ela para o PSD uma penca de prefeitos e hoje tem sob seu comando 72 deles, mais de 38% dos prefeitos pernambucanos.
O cenário de então apontava o PSD apoiando a candidatura à presidência do governador paulista Tarcisio de Freitas, do Republicanos, um obstáculo mais fácil de ser contornado por Raquel na sua busca por “neutralidade” em 2026, por não estar filiado ao PSD e por um “ranço” de direita menos agressivo. O cenário, no entanto, mudou substancialmente.
É bem verdade que ainda não está cristalizado, mas com a imposição pelo pai da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o representante do bolsonarismo contra Lula e a provável volta à ré de Tarcisio para a reeleição ao governo paulista, o PSD se aproxima cada vez mais da candidatura própria.
Tal possibilidade é latente apesar de declarações do início da semana do seu presidente, Gilberto Kassab, secretário de Tarcísio, segundo as quais o PSD continua apoiando o governador paulista à presidência.
É conversa para inglês ver. Tanto é assim que o PSD abriu os braços, na terça-feira (27), para abrigar o governador Ronaldo Caiado, abandonado em suas escancaradas pretensões presidenciais pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
O PSD tem agora três opções plausíveis para se contrapor às esquerdas em outubro, com Caiado e os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Junior (PR). O gaúcho e o paranaense passam longe do figurino à direita da direita de Flávio Bolsonaro. O cenário ideal para a direita é Flávio desistir da candidatura, mas não há indícios nessa direção até o momento.
Enfrentando o prefeito João Campos (PSB), um adversário dificílimo, líder, longe dela, nas pesquisas de intenção de voto até agora e com a provável companhia de Lula no palanque, ao menos no segundo turno, Raquel Lyra terá a obrigação, ao mesmo tempo, de multiplicar os alcances de suas realizações e de pisar em ovos.











