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Home Economia

Gigante de viagens Thomas Cook quebra, e 600 mil turistas não têm como voltar para casa

Por Ricardo Antunes
03/10/2019 - 15:24
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Por O Globo, com agências internacionais

LONDRES – A gigante de viagens britânica Thomas Cook, uma das mais antigas operadoras de turismo do mundo, declarou falência na manhã desta segunda-feira, deixando 600 mil turistas ao redor do mundo sem ter como voltar para casa. A quebra da empresa levou as autoridades do Reino Unido a iniciar imediatamente uma operação de repatriação que vem sendo considerada a maior do país em tempos de paz: 150 mil britânicos precisarão de ajuda do governo para retornar a seus lares.

O plano de emergência do governo britânico foi batizado de “Operação Matterhorn”, referência a uma campanha de bombardeios dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Com ele, as autoridades pretendem trazer de volta turistas que estão em diversos países, de Turquia a Cuba.

A operação de repatriação será duas vezes maior à organizada há dois anos, após falência da companhia aérea britânica Monarch. Na ocasião, o governo teve de entrar em cena e resgatar 110 mil passageiros, ao custo de 60 milhões de libras, especialmente com a contratação de aviões.

Passageiros buscam informações no balcão de check-in da Thomas Cook no Aeroporto de Mallorca, depois que a empresa de viagens mais antiga do mundo declarou falência, deixando milhares de turistas em todo o mundo sem conseguir voltar para casa Foto: ENRIQUE CALVO / REUTERS

Fundada em 1841 e pioneira nas viagens turísticas, a Thomas Cook buscava uma solução para seu elevado endividamento. A empresa negociou intensamente durante todo o fim de semana em busca de uma injeção de capital de 200 milhões de libras (quase US$ 250 milhões) de investidores privados para evitar o colapso. Mas as conversas fracassaram, e a operadora encerrou as atividades.

“Apesar dos enormes esforços, as discussões não chegaram a um acordo entre os acionistas e aqueles que ofereciam um novo aporte de dinheiro”, anunciou a empresa em comunicado. “Por isso, o Conselho de Administração concluiu que não havia outra opção senão dar os primeiros passos para iniciar o processo de liquidação com efeito imediato”, acrescentou a nota.

Simultaneamente, a British Aviation Authority (CAA), que regula o setor no país, divulgou nota oficial confirmando que a “operadora de turismo e a companhia de aviação interromperam suas atividades com efeito imediato”.

Uma agência da gigante de viagens Thomas Cook, em Londres. A empresa, que atuava como operadora de viagens e companhia aérea, decretou falência nesta segunda-feira, deixando cerca de 600 mil turistas sem poder voltar para casa Foto: TOLGA AKMEN / AFP

Nos últimos anos, o grupo registrou forte queda de demanda por seus pacotes, consequência da concorrência acirrada dos sites de viagens e das dúvidas dos turistas diante das incertezas sobre o Brexit, adiado duas vezes este ano.

A operadora havia apresentado um plano reestruturação no qual o conglomerado chinês Fosun assumiria o controle de suas atividades, ao mesmo tempo em que os credores – que incluem, entre outros, os bancos RBS, Barclays e Lloyds – assumiriam a companhia aérea.

Mas as 900 milhões de libras (US$ 1,12 bilhão) prometidas pelas partes não eram suficientes. A empresa necessitava de mais 200 milhões de libras (US$ 250 millones) para continuar com suas atividades.

Aviões com o logotipo da Thomas Cook estacionados no aeroporto de Manchester, Manchester, Grã-Bretanha Foto: PHIL NOBLE / REUTERS

Operadora de turismo e companhia aérea, a Thomas Cook movimentava anualmente cerca de 10 bilhões de libras (US$ 12,5 bilhões).

Os principais destinos da gigante das viagens estavam no sul da Europa e no Mediterrâneo, mas ela também oferecia pacotes para Ásia, norte da África e Caribe. A Thomas Cook tem 22 mil funcionários em todo o mundo, sendo nove mil deles no Reino Unido.

Repatriação sem precedentes

As preocupações agora estão focadas na repatriação dos clientes da empresa. Em nota, o governo britânico disse que antes “do colapso de Thomas Cook e do cancelamento de todos os seus voos”, as autoridades haviam “contratado dezenas de aviões fretados” para permitir o retorno desses passageiros “sem nenhum custo adicional”.

“Todos os passageiros atualmente em viagem no exterior com a Thomas Cook e que tiveram reservas para retornar ao Reino Unido nas próximas duas semanas serão levados para casa o mais próximo possível da data de suas reservas”, acrescentou a nota do governo britânico.

Por sua vez, o diretor executivo da Thomas Cook, Peter Fankhauser, disse que “foi um dia profundamente triste para uma empresa pioneira em pacotes de férias e que tornou possível a viagem para milhões de pessoas em todo o mundo”.

Enquanto isso, em Xangai, o grupo Fosun, principal acionista da Thomas Cook, expressou sua “decepção” pela falta de um acordo que impedisse o colapso da empresa.

“A Fosun está desapontada pelo fato de o Thomas Cook Group não ter conseguido encontrar uma solução viável para sua recapitalização com outras afiliadas, bancos e outras partes”, disse o conglomerado em nota oficial.

A empresa enfatizou que sua posição “permaneceu inalterada durante todo o processo, mas infelizmente outros fatores mudaram”.

O sindicato TSSA, que representa os funcionários da empresa, pediu à ministra das Empresas e Indústria, Andrea Leadsom, uma “reunião urgente” no sábado e que ela estivesse “preparada para ajudar a Thomas Cook com um verdadeiro apoio financeiro. ”

“Você precisa salvar a empresa de qualquer maneira. Nenhum governo britânico sério permitiria a perda de tantos empregos”, disse o secretário geral da TSSA, Manuel Cortes.

Como tudo começou

O fabricante de armários Thomas Cook criou a empresa de viagens em 1841, transportando passageiros de trem entre cidades britânicas. Logo começou a organizar viagens ao exterior, sendo o primeiro operador a levar turistas britânicos em visitas guiadas à Europa, em 1855, seguidos logo depois por destinos mais distantes.

“Não foi apenas a Thomas Cook que foi vítima de excesso de capacidade no setor, com o colapso de uma série de companhias aéreas nos últimos anos, com o maior número de vítimas sendo anteriormente a da Monarch”, disse Michael Hewson, analista de mercado da CMC Markets UK, nesta segunda-feira.

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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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