Da Redação – O Governo de Pernambuco se pronunciou após a grave denúncia trazida por este Portal sobre indícios de fraude em uma licitação emergencial para o fornecimento de alimentação a servidores, pacientes e acompanhantes do Hospital da Restauração (HR), no Recife. A história gerou inquietação nas redes sociais, em função dos riscos para a segurança de pacientes de alta complexidade no maior hospital da América Latina.
“A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) esclarece que a contratação emergencial para prestação dos serviços de alimentação no Hospital da Restauração foi realizada de forma regular, observando todos os requisitos legais aplicáveis, com o objetivo de garantir a continuidade de um serviço essencial. A empresa contratada apresentou toda a documentação exigida e o contrato encontra-se devidamente formalizado e vigente. Quanto à produção das refeições em cozinha industrial externa, trata-se de medida temporária adotada em razão das obras de requalificação da cozinha do Hospital da Restauração. A solução está prevista contratualmente e assegura a continuidade do fornecimento de refeições sem qualquer prejuízo aos pacientes, acompanhantes e servidores”, diz a nota do Governo do Estado.
“A SES-PE ressalta que todas as refeições permanecem submetidas a rigorosos controles de qualidade e segurança alimentar, com fiscalização permanente da equipe técnica da Secretaria. Por fim, destaca que não houve interrupção dos serviços e que todas as medidas adotadas visam garantir a assistência adequada aos usuários da unidade hospitalar”, complementa a secretaria.

As denúncias apontavam que o objeto original da licitação previa uma dispensa emergencial para a confecção de refeições dentro das próprias dependências do HR, o que na realidade foi bem oposto. No hospital, toda a comida é transportada de uma cozinha externa pertencente à empresa Avannte, localizada no bairro da Várzea. A sócia majoritária da empresa é esposa de Nelson Nunes Canniza Neto, um dos empresários da famosa Casa de Farinha, investigado pela Polícia Federal há quase uma década. Em 2018, ele foi um dos alvos da Operação Castelo de Farinha, que investigava quadrilhas envolvidas em crimes em licitações para compra de merenda escolar para prefeituras no estado. O que levanta questionamentos sobre os critérios de escolha da dispensa emergencial.
Funcionários do HR informaram ao Portal que a empresa que operava anteriormente encerrou suas atividades no último domingo e retirou todos os equipamentos do hospital, deixando o espaço completamente vazio. A fiscalização do hospital autorizou que o insumo alimentar de todo o complexo venha de uma cozinha coletiva externa. A mudança gerou uma onda de reclamações diárias entre os funcionários, que apontam o risco do transporte feito por caminhões sem acompanhamento de servidor ou técnico para fiscalizar o trajeto, temendo possíveis contaminações aos alimentos.














