De O Globo – A investigação da Polícia Federal (PF) que culminou na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira, apontou que o grupo de hackers responsável por promover ataques cibernéticos no esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro tentou acessar o celular do colunista Lauro Jardim, do GLOBO. O pedido partiu do próprio dono do Banco Master, que, em março, foi preso justamente por haver indícios de que teria determinado um assalto forjado para “prejudicar violentamente” o jornalista.
A tentativa ocorreu em julho do ano passado, conforme troca de mensagens revelada neste domingo pelo programa “Fantástico”, da TV Globo. O grupo que atuava em favor de Vorcaro era comandado pelo pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, apontado como operador financeiro da “Turma”, o “braço armado” da organização criminosa. Ele foi preso nesta fase da Compliance Zero.
Na conversa, Vorcaro diz a Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, que precisava hackear o jornalista. Mourão respondeu que mandaria “os meninos” realizarem o serviço — nome dado ao núcleo que seria o braço tecnológico da “Turma”.
Em outro trecho, Mourão diz que chegou a mandar uma mensagem para o telefone de Jardim. O objetivo seria marcar uma reunião e enviá-lo um link fraudulento para o encontro virtual, o que possibilitaria o acesso aos seus dados.
Leia o diálogo:
VORCARO: Preciso hackear esse Lauro.
MOURÃO: Vou mandar fazer isto.
MOURÃO: Já pedi aos meninos para fazer isto, mandar no e-mail.
MOURÃO: Quer que tome o cel dele?
MOURÃO: Chamei o Lauro no zap.
‘Os meninos’
Um dos hackers que integram o grupo, Victor Lima Sedlmaier, foi preso neste sábado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele estava foragido desde quinta-feira, quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da operação.
De acordo com a PF, Victor fazia parte do grupo apelidado de “Os Meninos”, descrito pelos investigadores como especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal. Segundo a apuração, os hackers contratados recebiam R$ 75 mil por mês.
As investigações apontam que Victor atuava ao lado de David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos no braço tecnológico do esquema. Eles eram subordinados a Mourão, preso em fase anterior da operação e que se suicidou enquanto estava detido.
‘A turma’
Já o grupo comandado por Henrique Vorcaro, intitulado “A turma”, era a estrutura usada pelo grupo criminoso para intimidar desafetos. Foi o braço armado que, em outro momento, planejou simular um assalto para atacar Lauro Jardim.
No diálogo divulgado anteriormente, Vorcarou chegou a dizer “queria mandar dar um pau” no jornalista e “quebrar todos os dentes”. O banqueiro também pediu para “botar gente seguindo” Lauro, o que Mourão, na conversa, diz ter acatado.
O GLOBO divulgou nota quando o plano de ataque ao jornalista Lauro Jardim foi revelado:
“O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público.”












