Da Redação – A 13ª Vara Criminal da Capital determinou liminarmente nesta segunda-feira (23) a suspensão imediata de inquérito policial sob responsabilidade da Superintendência de Inteligência Legislativa (Suint) da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) contra o jornalista Manoel Medeiros. A investigação foi solicitada pela deputada estadual Dani Portela (PT) por suposta “denunciação caluniosa”. Atendendo a pedido da defesa de Manoel Medeiros, o juiz Hugo Vinicius Castro Jimenez se alinhou, a priori, ao entendimento de que não cabe à Assembleia Legislativa o poder de investigar atos fora da Casa e que Dani Portela deveria ter procurado uma delegacia convencional. A Alepe pode recorrer.
O jornalista chegou a se apresentar ontem (23) pela manhã na Alepe para o depoimento na Suint, mas a decisão liminar do juiz suspendeu a realização da oitiva. “O depoimento do profissional de mídia instaurado através de ocorrência de iniciativa da parlamentar estadual Dani Portela deveria ter se iniciado em uma unidade da polícia civil convencional ou, se assim o preferisse, através da polícia parlamentar, que não possui tal condão deveria, de acordo com as normas, ter sido enviada até o departamento próprio da Polícia Civil. Posto assim, o depoimento e a colheita de tais provas em sede de polícia parlamentar fogem ao papel que assim possui por atribuição de cuidar da segurança dos seus parlamentares”, afirmou o magistrado.
Em agosto de 2025, Manoel Medeiros fez uma denúncia anônima no Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPC-PE) apontando indícios de uso irregular de mais de meio milhão de reais por parte do gabinete de Dani Portela, até então filiada ao PSOL. O MPC-PE encaminhou os achados para o relator da Alepe no Tribunal de Contas, conselheiro Rodrigo Novaes, que arquivou a denúncia.
Segundo Medeiros, Dani Portela teria contratado por R$ 23 mil ao mês uma empresa recém criada pertencente ao tio do seu marido. A identidade do jornalista, que atuava como assessor no Palácio das Princesas, foi revelada no plenário e as imagens dele numa lan house no Shopping Riomar, num sábado à tarde, onde teria produzido a denúncia, foram obtidas pela Suint. O vídeo foi divulgado pela própria Alepe para blogs e redes de televisão. Dani Portela negou que exista qualquer irregularidade e afirma que o trabalho da empresa ocorre normalmente para “automatizar” seu gabinete.
No último dia quatro de março, dois policiais civis lotados na Suint estiveram no endereço dos pais do jornalista, que levou o caso ao Ministério Público do Estado de Pernambuco a utilização da estrutura da Suint para investigar o jornalista.












