Exclusivo, por Ricardo Antunes – A grande polêmica do debate promovido pela Rádio Cidade de Caruaru com os candidatos a governador foi a acusação de “fura teto” que o ex-prefeito João Campos (PSB) fez à governadora Raquel Lyra (PSD). O socialista afirmou que a gestora recebia acima do teto constitucional para agentes públicos, com “indícios de inconstitucionalidade”. No entanto, a mãe dele, a ex-primeira dama Renata Campos, que é auditora de controle externo do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), ganha uma remuneração ainda maior que a da governadora: 2, 4 milhões de reais.
Servidora pública do TCE desde os anos 1990, Renata recebeu em agosto o vencimento bruto de R$ 62.508,32. Dessa quantia, R$ 50.378,29 são os vencimentos. Já Raquel, que é procuradora do estado, recebeu 60.931,44 no mesmo mês.
O teto constitucional a que João Campos se refere equivale ao valor máximo que qualquer agente ou servidor público pode receber por mês, em qualquer esfera da administração pública. Atualmente, esse limite está fixado em R$ 46.366,19, valor que corresponde ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Determinada pela Constituição Federal, a regra busca evitar gastos excessivos com o dinheiro público e garantir a ética no serviço do estado.
Em função dos altos valores brutos recebidos, Renata e Raquel têm descontos obrigatórios. A ex-primeira dama teve R$ 6.531,01 do chamado “abate-teto”, além de R$ 20.428,69 de descontos obrigatórios. Já a governadora teve R$ 4.410,01 de descontos excedentes, além de R$ 20.958,16 de descontos compulsórios em agosto.
Levantamento publicado pelo blogueiro joãocampista Magno Martins aponta que entre janeiro de 2023 e junho de 2026, Raquel recebeu cerca de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. No mesmo período, Renata recebeu cerca de R$ 2,4 milhões. Vale salientar a curiosidade de que neste ponto o Portal de Transparência do Tribunal de Contas do Estado é menos transparente que o do Governo de Pernambuco, pois só permite consultar a cada mês, e nem todos estão disponíveis. Todavia, as cifras aproximadas recebidas por Renata são maiores que as de Raquel no mesmo período.
É importante destacar que não se trata de julgar se os vencimentos estão corretos ou não. O papel da mídia é expor situações e mostrar a realidade dos fatos. E não há como contestar números expressos no portal da transparência dos referidos órgãos, tanto o salário de Renata como auditoria de contas quanto o de Raquel como procurador do estado – opção feita por ela ao invés do salário de governadora, que seria de cerca de R$ 22 mil mensais.
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