Do BBC – Multidões estão tomando as ruas da capital Teerã e de outras cidades no que já está sendo considerado a maior demonstração de força dos últimos anos por parte de opositores ao regime clerical que domina o Irã.
Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ouvir manifestantes pedindo a deposição do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o retorno de Reza Pahlavi, filho exilado do falecido ex-xá, que havia incitado seus apoiadores a irem às ruas.
Imagens de manifestações pacíficas em Teerã e na segunda maior cidade do Irã, Mashhad, na noite desta quinta-feira (08/01), foram verificadas pela BBC Persian.
A agência de monitoramento da internet NetBlocks afirma ter detectado um “apagão nacional” no Irã.
“Métricas em tempo real mostram que o Irã está em meio a um apagão nacional da internet; o incidente ocorre após uma série de medidas crescentes de censura digital contra protestos em todo o país e prejudica o direito da população à comunicação em um momento crítico”, diz um comunicado da NetBlocks.
Este foi o 12º dia consecutivo de manifestações, desencadeadas pela indignação com o colapso da moeda iraniana e que logo se transformaram em protestos de insatisfação generalizada com o governo.
Inicialmente, comerciantes foram às ruas de Teerã para expressar sua indignação com mais uma forte queda no valor da moeda iraniana, o rial, em relação ao dólar americano no mercado paralelo.
O rial atingiu uma mínima histórica no último ano e a inflação disparou para 40%, à medida que as sanções impostas pelo programa nuclear iraniano pressionam uma economia já fragilizada pela má gestão governamental e pela corrupção.
Estudantes universitários logo se juntaram aos protestos, que começaram a se espalhar para outras cidades, com multidões frequentemente entoando slogans críticos ao clero à frente do poder no país.
Protestos desde 28 de dezembro já tomaram mais de 100 cidades e vilas em todas as 31 províncias iranianas, segundo grupos de direitos humanos.
A agência de notícias HRANA (Human Rights Activist News Agency), sediada nos EUA, afirmou que pelo menos 34 manifestantes e oito membros das forças de segurança foram mortos, e que outros 2.270 manifestantes foram presos.
A organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, afirmou que pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito crianças, foram mortos pelas forças de segurança.
A BBC Persian confirmou as mortes e as identidades de 21 pessoas, enquanto as autoridades iranianas relataram a morte de seis membros das forças de segurança.
Veja o vídeo:









