Do UOL – “Ya lo ves, ya lo ves, el que no salta, es un inglés…”. A canção histórica dos argentinos nos estádios de futebol nunca teve tanto sentido como nesta quarta. O que não pula é um inglês, um sem graça, um cretino, para não usar um palavrão. Se já cantam contra qualquer um, imaginem só em um jogo contra a Inglaterra.
O que não estava no protocolo era fazer isso justo na hora do hino da Inglaterra. O que se seguiu foi uma sonora vaia dos ingleses ao hino argentino. E, assim, o duelo das arquibancadas já começava com algo poucas vezes visto na história das Copas – ou talvez até inédito. Os hinos foram vandalizados. Não puderam ser ouvidos pelos quase 70 mil que encheram o estádio de Atlanta. Respeito nenhum.
Se já começa assim, o que se segue não vai ser lá muito bonito. A maior parte do público era internacional, gente não-inglesa ou não-argentina. Mas com muitos pequenos grupos de ingleses e argentinos espalhados e se estranhando pelo estádio. Não presenciei vias de fato, mas inúmeros xingamentos, dedo apontado, mãos nas partes íntimas e copos e copos de cerveja atirados nos “inimigos”.
No intervalo da partida, quando um argentino entrou no banheiro cheio de ingleses, a provocação virou geopolítica. “I’ve never seen the Argies, never seen the Argies win a war” – “nunca vi um argentino ganhar uma guerra”, em alusão ao conflito das Malvinas, nos anos 80, uma tragédia militar argentina que também aparece em muitas canções de estádios e que explica o ódio em relação aos ingleses.
Mesmo nos setores atrás dos gols, teoricamente reservados para ingleses e argentinos, havia muitos “intrusos”, entre internacionais desavisados ou pessoas que simplesmente tinham ingresso para estar lá. Os seguranças do estádio tentavam controlar quem tinha ingresso, pediam para os corredores ficarem desobstruídos e até mesmo calma pediam, de forma pouco produtiva – especialmente conforme o álcool ia subindo para a cabeça. No setor argentino, os corredores só foram liberados quando chegou a polícia, com arma na cintura e tudo.
“Vamos Argentina, ponham ovos, que ganhamos”. O time de Messi foi buscar o jogo e inflamou o público, que, mais do que empurrar o time, foi empurrada pelo time. E entrou na brincadeira. Veio a justa virada, com gols seguidos de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, entre duas bolas na trave de MacAllister e muita pressão para cima de uma Inglaterra que sonhava com prorrogação.
No fim das contas, o setor inglês viu a história de sempre. Assim como em 2018, na semifinal contra a Croácia, derrota de virada, bochechas vermelhas gritando com muita raiva e choro. Ali, só pulava quem não era inglês.








