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Home Política

“Não sou puxa-saco do Bolsonaro”, admite Sérgio Reis

Por Ricardo Antunes
19/08/2021 - 02:17
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Do Congresso em Foco – Desde o último fim de semana, a vida do cantor e ex-deputado Sérgio Reis virou do avesso. O vazamento de um vídeo (veja no final deste texto) em que convoca caminhoneiros e a população a saírem às ruas em defesa do governo, e para pedir o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), fez com que o sertanejo fosse “cancelado” nas redes sociais, com muitas críticas, inclusive de colegas artistas e políticos. Os cancelamentos, no entanto, também atingiram a agenda e o bolso do cantor.

“Querem me massacrar. Já estou tendo prejuízo. Cancelaram quatro shows e dois comerciais que ia fazer agora. Tiraram do ar um que faço para um supermercado de Curitiba. Vão tirar por um mês do ar e esperar para ver o que acontece”, contou o artista em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco.

Aos 81 anos de idade, mais de cinquenta deles dedicados às carreiras de cantor e ator, Sérgio Reis diz que defende a democracia e que “não há necessidade” de uma intervenção militar, como prega parte do eleitorado do presidente Jair Bolsonaro, de quem o artista é apoiador. “Não sou puxa-saco do Bolsonaro”, ressalta.

“Eu errei mesmo, errei muito. Não devia ter falado, porque as pessoas pensam… Falei com um amigo. Ele postou num grupinho. Um amigo da onça. É da vida. Estão me ameaçando, pensando que estou com medo. Mas não me escondi. Estou aqui em casa, não agredi ninguém. Arco com minha responsabilidade”, disse.

O cantor afirma que ainda não foi notificado sobre o pedido de abertura de inquérito contra ele por ameaça, feito pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal. “Se abriram, vamos fazer a defesa, o que é certo. Não tenho medo de cadeia. Quando moço, eu era briguento, participava de briga tonta. Fui preso por briga, tinha de responder pelo que fiz. Não fiz nada agora.”

Mesmo admitindo que errou, Sérgio Reis reforça as críticas aos ministros do Supremo, principais alvos de sua gravação. “Pelo que estão fazendo, soltando os bandidos, eu quero o impeachment deles. Não acho que estão representando o povo. Ali é o Supremo Tribunal Federal, é a Justiça do país, tem de ter coerência”, afirmou.

“O presidente tem de ir lá para depor? O que é isso? Pensam que é mais que o presidente? O Supremo é o povo. Aí o povo não aceitou. Você vai ver Brasília dia 7 de setembro”, acrescentou.

O sertanejo admite sair às ruas para engrossar o coro dos bolsonaristas no feriado do Dia da Independência, quando estão convocadas manifestações contra o STF e o Congresso e a favor do presidente. “Tenho de ir para a rua porque me comprometi com eles. Preciso mostrar para o povo que querem me amedrontar. Se tiver de morrer, eu morro, morro pelo meu país. Não vou fugir.”

Deputado federal entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2019, pelo PRB (hoje Republicanos) de São Paulo, Sérgio Reis diz ter amigos na direita e na esquerda, inclusive o ex-presidente Lula, além de deputadas como Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Maria do Rosário (PT-RS), Benedita da Silva (PT-RJ) e Luiza Erundina (Psol-SP), e conta que também tem suas restrições a Bolsonaro.

“Conheci ele na Câmara, somos palmeirenses. Não aprovo a forma com que ele fala muita coisa. Mas é o jeito dele. Como vou mudar o jeito de italiano nervoso dele? Tem hora que ele é bronco”, afirma.

Depois de criticar, o cantor elogia o presidente: “O Brasil não quebrou ainda porque é muito forte. Muito dinheiro foi desviado dos nossos cofres e o país não quebrou. Agora ninguém mexe no cofre, porque Bolsonaro acabou com isso”.

Um grupo de 29 subprocuradores-gerais da República encaminhou nessa terça-feira (17) ao Coordenador Criminal da Procuradoria da República no Distrito Federal, Carlos Henrique Martins Lima, uma representação criminal contra o ex-deputado  em razão dos vídeos divulgados no domingo. De acordo com o documento, as declarações do ex-parlamentar bolsonarista configuram, em tese, crime de incitação à subversão da ordem política ou social (artigo 23 da Lei 7.170/83) e incitação ao crime (artigo 286 do Código Penal). Líderes dos caminhoneiros manifestaram divergência com Sérgio Reis, disseram que não participar do protesto de 7 de setembro e classificaram o chamado como “ato totalmente político“.

Veja outros pontos da entrevista de Sérgio Reis ao Congresso em Foco:

Supremo

“Pelo que estão fazendo, soltando os bandidos, eu quero [impeachment]. Não acho que estão representando o povo. Ali é o Supremo Tribunal Federal, é a Justiça do país, tem de ter coerência. O presidente tem de ir lá para depor? O que é isso? Pensam que é mais que o presidente? O Supremo é o povo. Aí o povo não aceitou. Você vai ver Brasília dia 7 de setembro. Tenho de ir para a rua porque me comprometi com eles. Preciso mostrar para o povo que querem me amedrontar. Se tiver de morrer, eu morro, morro pelo meu país. Não vou fugir.”

Erro

“Eu errei mesmo, errei muito. Não devia ter falado, porque as pessoas pensam… Falei com um amigo. Ele postou num grupinho. Um amigo da onça. É da vida. Estão me ameaçando, pensando que estou com medo. Mas não me escondi. Estou aqui em casa, não agredi ninguém. Arco com minha responsabilidade. Não agrido ninguém. Tenho respeito. Se o povo não aceita, prove o contrário. Cada cabeça sua sentença.”

Repercussão

“Abalou um pouquinho, o povo está revoltado comigo. É natural. Cada um tem sua opinião, tem de respeitar. Não fiz aquilo para machucar ninguém. Mandei para um amigo, brincando com ele. Isso vazou.”

Bolsonaro

“Não sou puxa-saco do Bolsonaro. Conheci ele na Câmara, somos palmeirenses. Não aprovo a forma com que ele fala muita coisa. Mas é o jeito dele. Como vou mudar o jeito de italiano nervoso dele? Tem hora que ele é bronco. É difícil governar o Brasil, que é muito grande. O Brasil não quebrou ainda porque é muito forte. Muito dinheiro foi desviado dos nossos cofres e o país não quebrou. Agora ninguém mexe no cofre, porque Bolsonaro acabou com isso.”

Lula

“O Lula é meu fã desde a época que era sindicalista, tinha todos os meus discos. Eu autografava. Fiquei muito amigo do Lula. Quando ele era presidente e eu estava em Brasília ele me ligava e chamava para encontrá-lo. É um relacionamento normal.  Eu gosto do Lula, não tenho nada contra ele, sempre me respeitou, assim como a dona Marisa. Uma vez falei para ele que o Hospital do Amor, de Barretos, referência no combate ao câncer, precisava de uma construção para separar as crianças dos adultos com câncer. Ele pediu ao José Dirceu na hora para repassar R$ 10 milhões para o governo de São Paulo. Está lá o pavilhão Luiz Inácio Lula da Silva no hospital. Lula me pediu, depois, que eu ajudasse o Luiz Marinho a ser prefeito de São Bernardo. Fomos eu e o Eduardo Araújo. Ajudamos ele a se eleger.”

Processo

“Não sei se abriram. Estou aqui em São Paulo. Se abriram, vamos fazer a defesa, o que é certo. Não tenho medo de cadeia. Quando moço, eu era briguento, participava de briga tonta. Fui preso por briga, tinha de responder pelo que fiz. Não fiz nada agora.”

Caminhoneiros

“Tive programa de caminhoneiro, que era transmitido para 240 rádios. Ainda hoje represento a Confederação Nacional dos Transportes, tem painéis meus nas estradas, com mensagem de curva perigosa. Eu tive uma transportadora com 26 caminhões, que faziam São Paulo, Campo Grande e Cuiabá. Meu sócio tinha uma transportadora. Não sou um leigo no assunto. Há mais de 2 milhões de caminhoneiros no país. Desses, 350 mil dirigem drogados. Aí a pessoa tem de dirigir na estrada e pega um dopado pela frente. Ele se dopa porque o frete é barato, o pedágio é caro e tem horário para cumprir. É resultado de má administração dos governos.”

Intervenção militar

“Não tem necessidade, não é bom. Estamos passando momento muito crítico, precisa ter muita coerência. Se o povo se manifestar a favor, aí é outra história. Mas o Exército não quer intervenção porque apanhou muito de 1964 para cá. Queriam implantar um regime comunista no Brasil, os militares não deixaram. Dirceu, Dilma e tantos outros eram terroristas. Não estou julgando ninguém, são os fatos.”

Democracia

“Achei interessante a luta dos partidos e políticos procurando acertar, discutindo em plenário. Isso é democracia. quando alguém do PT falava a gente ouvia, a gente falava, eles ouviam. Depois ia almoçar todo mundo junto. Defendo a democracia. Sem democracia não vai. Tem de ter democracia, tem de ser igual para todo mundo.”

Comunismo

“Quero que entendam esse meu lado. Sou contra o comunismo, não quero que nosso Brasil vire uma Argentina, uma Venezuela, uma Cuba. Nosso país não merece isso. A esquerda quer isso. Se querem isso para o Brasil, eu não quero, não aceito. Por isso não podemos deixar comunistas tomarem conta do país.”

Cancelamento

“Querem me massacrar. Já estou tendo prejuízo. Cancelaram quatro shows e dois comerciais que ia fazer agora. Tiraram do ar um que faço para um supermercado de Curitiba. Vão tirar por um mês do ar e esperar para ver o que acontece.”

Carreira

“Não põe em risco a minha carreira, as pessoas têm meus discos, sabem que sou um cara legal, não tenho frescura, converso com todo mundo, não tenho segurança. Infelizmente esses políticos estão perdendo a cidadania deles, não vão poder entrar em um avião. Convido qualquer um deles de andar a pé comigo.”

Veja o vídeo em que Sérgio Reis convoca manifestação contra o Supremo:

@SergioReis Dia 7 de setembro eu vou!! https://t.co/7aV64oruaX

— Dia 07/09/21. Eu vou! (@MarciaP42419923) August 18, 2021

Fonte: Do Congresso em Foco
Tags: BrasíliaJair Bolsonaro
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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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