Por Antônio Campos – O xadrez político em Pernambuco expõe uma disputa que vai além dos nome é, sobretudo, uma batalha de estratégia. A governadora Raquel Lyra tem adotado cautela na montagem da sua chapa, mas essa prudência também carrega seus riscos.
O movimento de Silvio Costa Filho ao pleitear a vice deixou claro que há mais interesses do que espaços disponíveis. A permanência de Priscila Krause é, hoje, um dos pilares de estabilidade do governo. Mexer nessa peça seria abrir uma frente de desgaste desnecessária.
Mas há um ponto sensível nessa equação: o erro de Raquel ao dar ouvidos a Marília Arraes vendendo uma ilusão eleitoral.

Enquanto isso, no campo adversário, João Campos avança com uma chapa que foi, sim, impulsionada diretamente por Luiz Inácio Lula da Silva. Para Lula, o PSB é estratégico especialmente no Nordeste. Fortalecer João é consolidar palanque, garantir presença e manter influência em um estado-chave como Pernambuco.
Esse apoio nacional dá musculatura à candidatura de João, mas também cria dependência. Ao se vincular fortemente com uma chapa ligada ao lulismo, mesmo com desgaste do governo federal, que já não vive sua melhor fase na região.
Diante desse cenário, Raquel tenta equilibrar forças. A presença de Miguel Coelho surge como alternativa para ampliar alcance no interior e reduzir resistências. A lógica é clara: montar uma chapa que dialogue com diferentes regiões e perfis eleitorais.
O pano de fundo continua sendo a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula, que ainda dita o ritmo da política nacional e influencia diretamente Pernambuco. Raquel busca não se aprisionar a esse embate, enquanto João Campos se ancora nele.
No fim, o risco para Raquel não está apenas em errar na escolha de nomes, mas em comprar narrativas que não se traduzem em voto. Ouvir Marília além do necessário pode ser um desses equívocos.
Em política, ilusão não ganha eleição e, muitas vezes, custa caro para quem acredita nela.
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Antônio Campos é advogado e escritor.












