Por Felipe Cunha – O ex-candidato à Presidência da República nas eleições de 2022, Padre Kelmon, entrou na polêmica envolvendo o batismo celebrado na Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, no bairro das Graças, área central do Recife. O ato foi classificado como “gravemente ilícito” pela Arquidiocese de Olinda e Recife, sob a alegação de que o celebrante não possui vínculo canônico com a Igreja Católica Apostólica Romana.
O religioso que presidiu a celebração foi identificado como Dom Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva. Em nota oficial, a Arquidiocese afirmou:
“A administração pública do Batismo por quem não está em comunhão com a Igreja, especialmente quando realizada em templo católico, configura ato gravemente ilícito, por violar a disciplina sacramental e a ordem eclesial.”
A instituição também destacou que a celebração de sacramentos exige legítima missão canônica e comunhão com a autoridade eclesiástica local.
Kelmon reage e fala em “calúnia”
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Padre Kelmon saiu em defesa de Dom Rodrigo e criticou a posição da Arquidiocese. Segundo ele:
“Dom Rodrigo é bispo legítimo da tradição católica. Ele apenas não faz parte do clero que segue o Vaticano II. Ele é bispo legitimamente sagrado. Acusá-lo de falso bispo é crime de calúnia e difamação. A igreja de Recife erra ao chamá-lo de falso bispo.”
Kelmon também questionou o critério adotado pela autoridade local ao afirmar:
“Se ele for falso bispo, o arcebispo de Olinda e Recife também é. Porque os dois têm a mesma sucessão apostólica. A diferença é que um segue o concílio e o outro não.”
A declaração ampliou o alcance da controvérsia, levando o debate para além do episódio específico do batismo.
Defesa nega irregularidade
A defesa de Dom Rodrigo também se manifestou publicamente, rechaçando a acusação de fraude. Em nota, afirmou que ele “não é uma fraude” e que recebeu sagração episcopal válida dentro de uma linha sucessória apostólica histórica. O comunicado ainda sustenta que não houve ocultação de identidade nem celebração clandestina.
O ponto central do impasse
No núcleo da controvérsia está a distinção entre validade sacramental e licitude canônica. Enquanto setores tradicionalistas argumentam que a sucessão apostólica garantiria validade ao rito, a Arquidiocese sustenta que, sem missão canônica e autorização da autoridade local, o ato viola a disciplina da Igreja.
O caso reacende discussões internas sobre autoridade, comunhão e reconhecimento institucional dentro do catolicismo, além de expor tensões entre correntes tradicionais e a estrutura oficial da Igreja no Brasil.
A Arquidiocese não informou se adotará medidas canônicas adicionais. A repercussão segue intensa nas redes sociais e no meio religioso.
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