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Home Pernambuco

“Parece um avião que nunca pousa”: O drama das famílias vizinhas às torres eólicas no Pernambuco

Redação Por Redação
26/12/2025 - 11:40
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Expansão eólica no Nordeste gera conflitos judiciais e êxodo rural em Pernambuco

Expansão eólica no Nordeste gera conflitos judiciais e êxodo rural em Pernambuco

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Do UOL – “Parece um avião, só que nunca pousa.” De forma simples e bem-humorada, o agricultor Leonardo de Oliveira Morais, 36, resume o que é viver ao lado de uma torre de energia eólica instalada a cerca de 180 metros de sua casa, no sítio Pontais, zona rural de Venturosa (PE). Incentivadas por políticas federais de transição energética, as torres eólicas se espalharam pelo Nordeste e, ao mesmo tempo, se tornaram um tormento para famílias vizinhas.

Elas não foram ouvidas no processo de instalação e hoje relatam problemas de saúde. Em alguns casos, até abandonaram seus terrenos, sem receber nenhuma indenização. No final de novembro, o UOL passou uma semana visitando pessoas que tiveram suas vidas transformadas nos municípios de Caetés, Paranatama e Venturosa, no agreste pernambucano. A reportagem encontrou no local dezenas de casas a distâncias inferiores a 200 metros das torres, valor inferior ao adotado em países europeus e em outros locais do mundo.

A região foi uma das primeiras a receber parques de grande porte no Nordeste, a partir de 2014, e se transformou em um símbolo dos impactos sociais da expansão eólica.

“Não foi o semiárido ou o litoral nordestino que deram causa a essa urgência climática, e essa população está sendo sacrificada em nome da chamada transição energética, que tem sido feita de forma muito injusta”, diz o procurador da República José Godoy, que atua na Paraíba e tem sido uma das vozes mais ativas na defesa da regulamentação e da reparação às comunidades afetadas.

O Brasil já é o quinto país que mais gera energia eólica no mundo, com 1.131 complexos instalados e potência capaz de gerar 34,5 GW —16% da energia produzida no Brasil, segundo a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). O Nordeste concentra 95% dessa geração.

O ritmo de expansão é acelerado. Em 2024, foram inaugurados 76 novos parques eólicos, sendo 73 no Nordeste —um a cada cinco dias. As empresas afirmam ter investido US$ 1,8 bilhão no setor.

Atualmente, há 53 parques em construção, todos no Nordeste, e outros 441 em fase de projeto, segundo a Aneel.

Embora não emita CO2, a energia eólica gera ruído. Ainda assim, os parques se instalaram no Brasil sem regra sobre distância mínima entre torres e moradias.

Segundo nota técnica do Ibama, alguns países europeus exigem distância mínima de até 1,2 km entre aerogeradores e residências. Consideradas todas as regulamentações, a média é de 780 metros.

Segundo o pesquisador Francesco Dalla Longa, esse recuo é suficiente para que o ruído de um aerogerador de grande porte caia de 109 para 40 decibéis, limite diurno definido por norma da ABNT.

Procurada pelo UOL, a Abeeólica alega que os parques que têm esses problemas são antigos e que os mais novos já adotam um protocolo de distância de pelo menos 400 metros. Afirma ainda que estão negociando para ajudar a indenizar moradores afetados.

O custo da energia eólica
O custo da energia eólica

Um dos casos mais emblemáticos é o do agricultor Simão Salgado da Silva, 77, ex-morador do sítio Pau Ferros, em Caetés. A chegada da usina São Clemente, bem ao lado de sua propriedade em 2014, mudou sua vida.

A esposa adoeceu a ponto de pedir que deixassem o sítio de 33 hectares, referência nacional em agroecologia. A casa dele fica a 220 metros de um aerogerador, e outras oito torres cercam o terreno.

Hoje, Simão processa a empresa responsável pelo parque, pedindo indenização pela perda do sossego. O processo segue sem decisão.

“Para mim foi uma perda irreparável. Fico constrangido até hoje”, diz ele, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetés, município onde nasceu o presidente Lula.

Em Caetés, os atingidos criaram a Escola dos Ventos, ONG que reúne agricultores na luta por reparação.

“A empresa reconhece o erro, mas se recusa a indenizar. Temos cerca de 700 famílias impactadas só aqui por esse parque”, conta Simão.

Em fevereiro, movimentos sociais e indígenas ocuparam por dois dias a sede da Adepe (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco).

A pressão levou a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) a negar a renovação da licença operacional do complexo São Clemente, que tem 126 aerogeradores.

As famílias sacrificadas pela transição energética
As famílias sacrificadas pela transição energética

Hoje, a usina funciona graças a uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que autorizou a retomada das operações sem licença.

Na cidade vizinha, as histórias se repetem. José Orlando Pereira, 40, nasceu e viveu toda a vida no sítio Mimoso, em Paranatama. Ele conta que a chegada do parque Serra das Vacas foi devastadora.

“Não deu mais para aguentar o barulho, fechei a casa e fomos embora”, diz, deixando para trás um terreno de 3,5 hectares.

Ele mora na cidade com a esposa e dois filhos, paga aluguel e aguarda indenização para comprar outra casa.

“Tentei acordo com a empresa, mas não conseguimos. Coloquei na Justiça. Estamos esperando há quatro anos.”

“O meu medo é grande”, diz Miguel Pereira da Silva, 62, cego, morador do sítio Lagoa Grande, também em Paranatama.

“Quando venta muito, eu digo: ‘Meu Deus, se essa coisa cai, acaba com tudo’.”

Moradores relatam que a sensação de barulho das turbinas aumenta à noite.

“Eu passo a noite de um canto para outro, me levanto, fico aperreada. Quando ameaça chuva, procuro um canto para me esconder, dentro do banheiro ou debaixo da mesa”, diz uma moradora.

“Eu queria que a empresa tivesse compaixão, me tirasse daqui e me colocasse em um cantinho onde eu tivesse mais sossego”, resume a vizinha de Miguel, que chorou ao relatar sua história ao UOL.

Em Venturosa, chama atenção uma praça infantil construída como compensação social. O local está abandonado e lembra um cenário fantasma.

“Pedimos para fazer perto da igreja, mas fizeram longe das casas e embaixo de uma linha de transmissão, onde eles mesmos dizem ser perigoso. Não serviu para nada”, diz Claudivânia Salgado da Silva, 46.

Estudos científicos indicam que viver próximo a torres eólicas pode afetar a saúde de moradores, quadro associado à chamada síndrome da turbina eólica. A exposição ao ruído tem sido relacionada a casos de insônia, ansiedade, depressão e perda auditiva.

“Esses sinais se encadeiam: a pessoa não dorme, isso gera estresse, irritação e aumento da pressão arterial”, explica Wanessa Gomes, pesquisadora da Fiocruz e professora da UPE, autora de um estudo pioneiro sobre o tema.

Entre 2023 e 2025, ela pesquisou os impactos no sítio Sobradinho, em Caetés, ouvindo 105 moradores. 68% apresentaram transtornos mentais leves.

  • Estresse: 77%
  • Perda da qualidade do sono: 75%
  • Insônia: 73%
  • Irritação nos olhos: 68%
  • Ansiedade: 64%
  • Dores de cabeça: 61%
  • Tontura/vertigem: 59%
  • Diminuição da capacidade auditiva: 57%
  • Irritabilidade e agressividade: 57%
  • Palpitações: 55%

“Pesquisas indicam que o ideal seria um distanciamento mínimo de 1,5 km, pois ainda existem infrassons abaixo de 20 Hz que afetam a saúde”, afirma.

Para ela, 2 km seria a distância mais segura. Como medida emergencial, ela defende desligar os aerogeradores à noite.

O que dizem empresas e governo

Em nota, a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente do Estado de Pernambuco) afirma que vem atuando para resolver os impactos causados pelos complexos eólicos.

O governo pernambucano realizou em março uma escuta pública com famílias próximas aos empreendimentos.

“O órgão ambiental está finalizando um Termo de Compromisso com as empresas, que define ações de correção e prazos para reparar os impactos”, diz a CPRH.

A Echoenergia, responsável pelo parque São Clemente, afirma que desde 2019 vem adotando medidas de mitigação, como reformas acústicas em 128 residências e realocação voluntária de famílias.

“No decorrer de 2025, temos trabalhado intensamente na construção de uma solução resolutiva junto à CPRH”, ressalta a empresa.

A reportagem tentou contato com a PEC Energia, responsável pelo parque Serra das Vacas, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto para posicionamento.

A presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, reconhece os problemas, mas afirma que parques mais antigos seguem regras ultrapassadas.

Segundo ela, nos últimos cinco anos, as empresas passaram a adotar distância mínima de 400 metros.

“Esses parques antigos foram feitos sob outra legislação e com menos conhecimento. A partir de 2019, começamos a ouvir as comunidades e buscar soluções.”

A empresa diz que a entidade discute com a ABNT uma norma nacional para limites de ruído. “Os próximos parques serão multicriteriais, não baseados apenas na distância.”

Em nota, o Ministério de Minas e Energia afirma que o diálogo sobre os impactos da energia eólica é uma “agenda permanente” da pasta e citou a participação em um grupo criado em 2023 para discutir direitos e impactos.

A pasta informa ainda que há consulta pública aberta até 31 de dezembro para revisão da resolução do Conama de 2014, que trata do licenciamento ambiental de parques eólicos.

*Esta reportagem foi produzida com apoio da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) em parceria com a WRI Brasil.

Tags: Denuncia
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