Por Manuel Fernandes – A pesquisa do instituto Múltipla, divulgada na manhã desta segunda-feira (25), causou alvoroço nos bastidores do PSB. Fontes ouvidas em reserva pelo nosso Portal admitiram o golpe nas pretensões do partido. “Não estava nos planos que essa situação (virada) ocorresse, ainda mais tão cedo”, cravou um decepcionado aliado.
Quase dois meses após deixar a Prefeitura do Recife com ampla aprovação, João Campos (PSB) foi ultrapassado pela governadora Raquel Lyra (PSD) pela primeira vez. A gestora apareceu com 43%, ante 39% do socialista.
A mudança é significativa em relação ao levantamento feito pela Múltipla em fevereiro, quando João liderava com 42% contra 29% de Raquel. Desde novembro do ano passado, o socialista caiu de 47% para 39%, enquanto a governadora cresceu de 27% para 43%
“Não é terra arrasada, mas a máquina estadual começou a fazer força demais”, admitiu outro socialista, sem esconder a decepção. João empolgou aliados no ano passado, quando apareceu mais de 30 pontos a frente da governadora. No entanto, era cedo demais.
Daí o ex-prefeito cometeu um erro crasso, começam a admitir alguns. A escolha antecipada e atribulada de uma chapa majoritária à esquerda, divergindo da forma com que seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, e seu bisavô, o também ex-governador Miguel Arraes, compunham alianças ao centro.
Raquel, por sua vez, emitiu sinais de que iria adiar a escolha até às convenções, focando em governar em vez de campanha. Sintonia com o que desejam os eleitores, ainda alheios ao processo de escolha e com uma Copa do Mundo que tomará as atenções nas próximas semanas.
Mesmo que o Datafolha aponte ainda uma vantagem para João Campos nesta quinta-feira (28), o alerta está ligado nas hostes socialistas. Alguma medida precisa ser tomada para frear o crescimento de Raquel e fazer João voltar a subir. O café começa a esfriar, e uma eventual derrota, provavelmente em primeiro turno, comprometeria o próprio partido para a sucessão no Recife em 2028.











