Do Metrópoles – A Polícia Federal (PF) apontou que o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) abriu a Vale Soluções e Consultoria em 18 de janeiro de 2023, faltando 13 dias para deixar o cargo. Tanto a data de fundação quanto a movimentação financeira considerada atípica levantaram indícios de lavagem de dinheiro e de ocultação de patrimônio.
Além do ex-senador, dois filhos dele também foram alvos de operação da PF nesta quarta-feira (25/2): o ex-prefeito de Petrolina (PE) Miguel Coelho, candidato ao governo estadual em 2024, e o deputado federal Fernando Filho (União-PE). A suspeita é de desvio de emendas parlamentares, com envolvimento da prefeitura.
Funcionava assim: de acordo com a PF, a organização criminosa sob suspeita desviava valores oriundos de emendas ao direcioná-los para licitações para empresa vinculada ao clã. O montante bancaria supostas vantagens indevidas e ocultação patrimonial.
Segundo a investigação, Fernando Bezerra movimentou valores incomuns para um político prestes a deixar o Senado, o que sugere uma manobra para legalizar recursos de origens suspeitas ou até mesmo desconhecidas. As informações constam em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino desta quarta, na qual determinou a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos.
“Considerações análogas são tecidas em relação à VALE SOLUÇÕES E CONSULTORIA, empresa de consultoria aberta por FERNANDO BEZERRA COELHO treze dias antes do término de seu mandato, a qual movimentava valores em patamar suspeito para uma pessoa politicamente exposta que vem de abandonar a vida pública”, escreveu o relator.
Essa estratégia da família Bezerra para esconder bens não se restringiria somente à consultoria. Trata-se de um padrão que a PF encontrou nas empresas Excelsus Participações Ltda. e Manoa Participações Ltda., também ligadas ao esquema.
A corporação descobriu, ainda, que dois membros do núcleo político da família Coelho, Valtemir José de Souza e Domingos Sávio Alexandre, cuidavam dos negócios formalmente. Só que ambos atuavam sob as ordens do ex-senador.
E-mails enviados pelo contador Paulo Andrade Silva a Fernando Bezerra e obtidos pela PF apontam para o controle do ex-parlamentar sobre as finanças e o patrimônio das empresas:
“Da mesma forma, os e-mails dirigidos pelo contador PAULO ANDRADE ao ex-Senador indiciam (sic) a ocorrência de um mesmo padrão de ocultação patrimonial por meio de outras pessoas jurídicas investigadas – EXCELSUS PARTICIPAÇÕES LTDA e MANOA PARTICIPAÇÕES LTDA. – e os procuradores que nelas intervêm a mando dos reais proprietários, como VALTEMIR JOSÉ DE SOUZA e DOMINGOS SÁVIO ALEXANDRE”, assinalou a corporação.
O uso da consultoria facilitou o esquema, já que a emissão de notas fiscais por “serviços intelectuais” dificultou a fiscalização, porque justificou a entrada de dinheiro possivelmente ilícito. Assim, Dino expediu mandados de busca e apreensão para as empresas.
Procurada pela coluna, a defesa da família Bezerra Coelho informou que ainda analisa a decisão.











