Por Raquel Landim, do Estadão – A Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas dos recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O valor vultoso e o complexo caminho do dinheiro despertou dúvidas entre os investigadores.
São mais de R$ 61 milhões que saem da Entre Investimentos, que pertence a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e chegam a um fundo no Texas, controlado por advogado próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, para depois retornar ao Brasil para a Go Up Entertainment, ligada a empresária Karina Ferreira Gama.
A PF quer saber a origem dos recursos, se vêm das fraudes perpetradas pelo Banco Master, e no que foram realmente utilizados, se acabaram pagando as despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou que era prudente investigar e teve o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Relator do caso Master, Mendonça mostra independência mesmo tendo sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Se comprovadas, as suspeitas de crime levantadas pela PF desmontariam a versão do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), pré-candidato à presidência da República. Ele havia dito que se tratava de uma transação comercial privada.

Flávio é uma espécie de avalista da chegada dos milhões de reais a essa rede, já que foi ele que pediu a Vorcaro em áudio gravado e revelado pelo site The Intercept para financiar o filme Dark Horse. Torna-se, portanto, um dos alvos da PF em plena campanha eleitoral.
A investigação chega num momento de uma maré de notícias negativas. A pré-candidatura encontrou algum alento com a reconciliação com madrasta Michelle Bolsonaro (PL-DF), amiga próxima do ministro Mendonça, mas a situação não está fácil.
Depois de quase um mês de desavenças públicas, Flávio pediu desculpas a Michelle para virar o rumo do noticiário. Perdendo tração nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato tem dificuldades de atrair o apoio do centrão e a boa-vontade do mercado e do empresariado, que normalmente teriam simpatia pelos adversários do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O PP-União Brasil prometeu neutralidade aos seus filiados, enquanto o Republicanos ainda negocia e quer apoio nos Estados. Cotada para vice na chapa, a administradora Daniella Marques faz um roadshow pelo setor privado com encontros com cerca de 25 representantes de bancos e entidades da indústria e dos serviços. A principal dúvida dos seus interlocutores é se Flávio tem chances de vencer Lula em outubro.
Boa parte dessas chances estarão ligadas ao trabalho da PF que agora começa a investigar a fundo o caso Dark Horse. Devem ocorrer pedidos de cooperação com autoridades americanas e quebras de sigilo. Tudo isso vai estar nas mãos do ministro Mendonça.










