Por Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo – A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o inquérito que investiga a participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em uma ação de lobby no governo seja enviada à primeira instância da Justiça.
O órgão alega que não há ninguém com foro privilegiado envolvido no caso, o que não justificaria sua permanência no Supremo.
A decisão final será do ministro do STF André Mendonça.
O filho do presidente da República está sendo acusado de envolvimento com a lobista Roberta Luchsinger, que fez gestões para vender um projeto de canabidiol ao Ministério da Saúde. Ela seria sócia de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, no projeto.
Em conversas com interlocutores analisadas pela PF, ela cita pessoas com foro, o que manteve até agora o caso no Supremo.
Luchsinger, que é amiga pessoal de Lulinha, se aproximou do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana, o Marcola, para quem comprou jóias e fez pagamentos que chegam a R$ 249 mil. Depois do início das investigações, ele afirma que devolveu o dinheiro a ela.
A lobista chegou a se reunir com autoridades do Ministério da Saúde para vender o projeto de canabidiol.
Diálogos analisados pela Polícia Federal apontam que ela dizia falar em nome de Fábio Luís, e queria obter 20% de remuneração no projeto de Cannabis medicinal que tentava vender ao governo Lula (PT).
Em um dos diálogos acessados pela PF, Roberta disse falar em nome do filho do presidente, utilizando a expressão “Eu sou o Fábio”.
O negócio não foi fechado, e diálogos mostram que ela e Lulinha estavam insatisfeitos com a evolução das conversas no governo.
O teor da mensagem, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi confirmado pela Folha, que obteve trechos de outras conversas nas quais Roberta cita a possibilidade de ganho de 20% e a atuação de Otto Medeiros, advogado influente em Brasília.
Nos diálogos em posse da PF, Roberta diz em 2024 a um ex-assessor parlamentar que tentaria atuar no contrato de Cannabis medicinal com Otto.
Ela cita também que ele seria “sócio do Cassio (sic)”, em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), embora sem indicar nessas conversas atuação do próprio magistrado.
Kassio disse em nota que “não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento”. “Os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF.”










