De Tácio Lorran e Bruna Lima, do Metrópoles — Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, afirma ter feito cinco visitas a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde entre 2024 e 2025, quando o órgão era comandado por Swedenberger Barbosa, o Berger. Atualmente, Berger é chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As visitas ocorreram nos dias 6 de março, 13 de agosto e 20 de dezembro de 2024, além de 13 de janeiro e 17 de fevereiro de 2025. Em todas elas, o destino informado na portaria foi a Secretaria-Executiva da pasta. Em 2024, o Careca do INSS se identificou como diretor de uma empresa de telemedicina e, em uma das ocasiões, estava acompanhado da empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Já em 2025, entrou no ministério como presidente da World Cannabis, empresa especializada em cannabis medicinal.
Apenas um encontro constava na agenda oficial de Berger. Ele confirmou que a reunião tratou de negócios relacionados à cannabis medicinal. Durante esse período, o Careca do INSS recebeu uma mensagem que encaminhou a um interlocutor: “Berger já está com aquela orientação em mãos”, dizia o texto enviado em 6 de novembro de 2024, segundo material que está sob posse da Polícia Federal.
A PF suspeita que negociações envolvendo Lulinha tenham sido intermediadas por uma pessoa descrita como de “grande influência” no gabinete presidencial. Berger é um quadro histórico do PT, mantém boa relação com Lula e também com seu filho, investigado por corrupção e tráfico de influência. Segundo a investigação, Lulinha teria atuado ao lado de Roberta Luchsinger para ampliar os negócios de cannabis medicinal do Careca do INSS. O inquérito foi aberto por autorização do ministro do STF André Mendonça.
Berger deixou a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde em março de 2025, quando Alexandre Padilha assumiu o comando da pasta. Dias depois, foi nomeado para o Gabinete Pessoal da Presidência da República.
A investigação também aponta que o Careca do INSS tentou vender ao Ministério da Saúde medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil. A PF identificou uma série de indícios da relação entre o lobista e Lulinha. Os dois viajaram pelo menos três vezes à Europa no mesmo período e a defesa do filho do presidente reconheceu que uma dessas viagens foi paga pelo Careca do INSS.
Além disso, a Polícia Federal rastreou pagamentos que somam R$ 1,5 milhão do lobista para Roberta Luchsinger. Em uma das transferências, o Careca do INSS afirmou a um interlocutor que o dinheiro tinha como destinatário o “filho do rapaz”, em possível referência ao filho do presidente Lula.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e defensor de Lulinha, afirmou ter recebido a notícia da investigação com “perplexidade”, mas também com “serenidade”. “Teremos a oportunidade, uma vez mais, de demonstrar que Fábio não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade”, afirmou o advogado.








