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Home Justiça

MPF defende distância mínima de 1,5 km entre casas e torres eólicas

Por Thays Werllania
08/07/2026 - 14:59
José Orlando Pereira, 40, que saiu de casa com sua família devido aos impactos do aerogerador vizinho

José Orlando Pereira, 40, que saiu de casa com sua família devido aos impactos do aerogerador vizinho

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Do UOL – O MPF (Ministério Público Federal) emitiu uma nota técnica, nesta segunda-feira, solicitando que o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), sancione uma lei aprovada em 18 de junho pela Assembleia Legislativa que estabelece uma distância mínima de 1,5 km entre uma torre eólica e residências, escolas, hospitais, igrejas, lojas e demais edificações de uso público, coletivo ou privado, como forma de evitar a problemas de saúde provocados, por exemplo, pelo ruído e vibração das turbinas.

Se virar lei, como quer o MPF, será algo inédito no país para estabelecer um distanciamento defendido por especialistas, comunidades e entidades que denunciam há anos os impactos dos chamados aerogeradores quando instalados ao lado de casas no interior do Nordeste. Ela deve servir de referência para os demais estados e a União.

O tema vem sendo debatido no GT (Grupo de Trabalho) nacional que discute os impactos socioambientais das energias renováveis e reúne ações e propostas de todas as Procuradorias da República do país.

“A gente está em uma grande expectativa de que o governador sancione, e a gente tem um primeiro parâmetro para o Brasil todo de proteção, de proteção às pessoas. Isso pautaria o tema em nível nacional porque não tem nenhuma norma sobre isso no país.”

– José Godoy, procurador da República, autor do nota técnica e coordenador do GT

 

Torres de energia eólica em Venturosa (PE)

Brasil já é o quinto país que mais gera energia eólica no mundo com 1.131 complexos (instalados até 2025) e potência capaz de gerar 34,5 GW —16% da energia produzida no Brasil, segundo a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). O Nordeste concentra 95% dessa geração.

Em dezembro, o UOL contou como é a vida em três cidades do semiárido pernambucano, que sofrem com impactos de torres eólicas, que chegaram a expulsar moradores de áreas rurais. O que diz a nota
Na nota técnica ao governador paraibano, o MPF destaca a falta de parâmetros legais sobre esse distanciamento, citando que a proximidade se tornou um problema de saúde pública em diversas comunidades do Nordeste.

Foram apontados quatro pontos principais:

Riscos à saúde pública

A proximidade das torres eólicas tem gerado graves impactos psicológicos e fisiológicos nas comunidades vizinhas. Entre os problemas relatados estão a Síndrome da Turbina Eólica e a Doença Vibroacústica, associadas à exposição contínua a infrassons, que podem afetar os sistemas cardiovascular e nervoso.

Impactos Visuais e Sonoros

Além do ruído constante, que se torna mais intenso durante a noite e frequentemente viola os limites da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a nota técnica alerta para o efeito estroboscópico (“shadow flicker”), que são as sombras intermitentes projetadas pelas pás das turbinas, que causam desconforto visual acentuado e náuseas em moradores de residências próximas.

Princípios da Prevenção e Precaução

O órgão fundamenta seu pedido nos princípios socioambientais de prevenção e precaução. Por isso, o MPF alega que o estado tem dever de “adotar mecanismos de mitigação” aos danos conhecidos à saúde.

Expansão acelerada

A nota cita que, apenas na Paraíba, há previsão de instalar 58 novos projetos eólicos, o que deve mais do que duplicar sua capacidade de geração atual. Desses, diz o MPF, 98% pertencem a empresas estrangeiras. A coluna procurou a a Abeeólica para que comentasse sobre a lei e a recomendação da Paraíba, mas não obteve resposta.

Em dezembro, à coluna, a entidade alegou que os parques com casas a menos de 500 metros de distância são antigos, e os mais novos adotam um protocolo de distância de pelo menos 400 metros.

“Esses parques antigos foram feitos sob outra legislação e com menos conhecimento. A partir de 2019, começamos a ouvir as comunidades e buscar soluções”, disse a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum.

 

Torre de energia eólica próxima a casa em Paranatama (PE)
Torre de energia eólica próxima a casa em Paranatama (PE)

Defesa da lei paraibana

Para a pesquisadora Wanessa Gomes, da UPE (Universidade de Pernambuco) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que estuda os impactos das torres, a lei paraibana, se aprovada, será um passo fundamental para regulamentar o setor no Brasil. “Ela é de extrema importância para a saúde pública, e que a lei sirva de exemplo para o país.”

Ela argumenta que a distância de 1,5 km é aquela defendida pela literatura internacional. “Elas são capazes de prejudicar a saúde das pessoas até essa distância, por isso temos de proibir”, ressalta, citando um estudo feito em Portugal sobre o efeito dos infrassons — frequências mais baixas do que as percebidas pelo ouvido humano.

“O maior problema que a gente vê é não ter essa normatização. Os aerogeradores são implantados muito próximos às residências: já encontramos a 100 metros de uma residência. O risco para essas pessoas é muito grande, seja pela exposição contínua ao ruído, que gera danos à saúde mental; como problemas de sono, que traz estresse, ou aumento da pressão arterial pelo medo.”
Wanessa Gomes

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Thays Werllania

Thays Werllania

Profissional responsável pela edição e publicação de conteúdos no WordPress.

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