Por Ricardo Antunes – A postura intransigente do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), tem começado a preocupar nos bastidores governistas. Mesmo aqueles que defendem sua postulação ao Senado avaliam negativamente que o ex-gestor sequer tenha se disposto a negociar alternativas com o grupo liderado pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que preside a Federação União Progressista em Pernambuco.
Observadores da cena lembram que o ex-deputado e atual ministro André de Paula (PSD) costurou acordos para disputar o Senado em 2022, quando acabou em terceiro lugar. No jargão político, ele “cedeu” seus prefeitos na época para outros parlamentares, em troca de apoio para a candidatura majoritária. A mesma ideia estaria proposta a Miguel, que poderia disputar um mandato de deputado federal – o que ele sequer quis ouvir.
Com cinco anos e meio de experiência na Prefeitura de Petrolina e dois como deputado estadual, Miguel disputou o Governo de Pernambuco em 2022, mas apesar dos 18% dos votos, ficou em quinto lugar. No segundo turno, apoiou a governadora Raquel Lyra (PSD). Nesses quatro anos, migrou para o palanque do ex-prefeito João Campos (PSB), retornando ao lado governista somente em abril, após ter sua pretensão ao Senado negada pelo socialista.

Desde que a Federação União Progressista foi oficializada e o controle ficou com Eduardo da Fonte, Miguel vem tentando se valer da executiva nacional. O dirigente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, é presidente nacional da Federação, mas o também dirigente e senador Ciro Nogueira (PP-PI) é co-presidente. O ex-prefeito de Petrolina alega que a nacional poderá decidir o páreo a seu favor, mas não é o que se prevê.
Rueda e Nogueira acordaram de que os comandos estaduais seriam definidos por quem deter maior força política local. É o que ocorre com o lado do PP em Pernambuco: a sigla tem mais de 20 prefeitos, 10 deputados estaduais e três federais, enquanto o União Brasil tem menos gestores e apenas os irmãos de Miguel, Antonio Coelho e Fernando Filho, respectivamente, como estadual e federal. O grupo de Petrolina também não teria atraído muitos quadros para as chapas proporcionais, trabalho que ficou tocado por Eduardo e seu filho, o também deputado federal Lula da Fonte (PP).
Além disso, Pernambuco não preocupa tanto quanto o Paraná, onde membros da Federação divergem sobre apoiar a candidatura ao governo do senador Sérgio Moro (União Brasil) ou apoiar o ex-secretário Sandro Alex (PSD), nome ungido pelo ex-governador Ratinho Júnior (PSD).
Apesar da intransigência do ex-prefeito, o clima na cúpula da Federação é considerado como pacificado, inclusive com os próprios irmãos de Miguel. Faltando pouco mais de um mês para o fim das convenções, que ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto, é certo que o grupo tentará construir um entendimento – embora a decisão pela candidatura de Eduardo da Fonte seja vista como irreversível e bem amparada pelas pesquisas internas quanto à sua força, em especial no interior do estado.












