Por Ricardo Antunes – Acusado por funcionários de instalar um clima de trabalho tenso e hostil no Detran-PE, o diretor-presidente Vladimir Lacerda, nomeado em maio de 2024, é alvo, no Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE), de denúncia por assédio moral e sexual movida pela ex-assessora Maria Emanueli de Moura Soares. Ele nega todas as acusações, conforme a matéria que você vai ler a seguir.
No documento, ao qual nosso blog teve acesso com exclusividade, ela também pede o afastamento do dirigente do cargo, para que não possa interferir na apuração das denúncias.
O presidente do Detran-PE é uma indicação pessoal do deputado federal Eduardo da Fonte (PP), pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). A interlocutores, o deputado disse não ter nenhum problema em mudar o comando da autarquia, cujo orçamento gira em torno de R$ 2 bilhões.
Vladimir Lacerda, delegado da Polícia Civil, teria instalado um clima tão ruim no Detran que, pasmem, não fala com o diretor-geral Guilherme Mesquita, segundo na hierarquia da autarquia, também delegado de carreira. Procurado, Mesquita preferiu não comentar as desavenças, confirmadas ao blog por funcionários do órgão.
Na atual administração, ao menos cinco dirigentes já foram substituídos, e o clima é o pior possível. “Tem diretor que já mandou ele para aquele lugar. O clima é muito tóxico”, disse outro interlocutor.
Na ação, Maria Emanueli, que também é advogada, afirma, na Notícia de Fato (NF) nº 003949.2025.06.000/4, ter trabalhado por quase dez anos, sempre em funções de assessoramento da direção da autarquia.

Ela relata que Vladimir Lacerda praticou assédios quase sempre acompanhados de comentários humilhantes e depreciativos, proferidos pessoalmente, alguns deles após a realização de cirurgia estética no abdômen.
Afirma que o dirigente referiu-se à cirurgia com expressões enviadas por WhatsApp, como: “Já saiu do martelinho de ouro?”. Em outra ocasião, teria pedido o número da sua conta bancária utilizando a expressão “avaria”, comparando o procedimento médico a uma lanternagem de automóvel: “Adianta o orçamento, moça de pequena monta”, escreveu.
Maria Emanueli detalha que Vladimir Lacerda lhe prometeu expressamente o cargo de analista de gestão, sugerindo que pedisse demissão da empresa terceirizada anterior para ser recontratada na nova função, tudo com seu aval pessoal. Acrescenta que ele não apenas descumpriu a promessa, como também a realocou em funções hierarquicamente inferiores e com salário mais baixo.
A ex-funcionária ressalta que, tendo trabalhado por sucessivos contratos com três empresas terceirizadas, sempre em funções de assessoramento à cúpula do Detran, sua trajetória na autarquia — comprovada por documentos — foi “ilibada e marcada pela confiança” das gestões anteriores.

Na denúncia, o presidente do Detran-PE é acusado de assédio moral, abuso de confiança, manipulação contratual e violência psicológica. Ela pede o afastamento cautelar do cargo, alegando que a permanência de Vladimir Lacerda representa “um risco concreto e iminente à produção de provas e à integridade das testemunhas”.
Maria Emanueli afirma ainda que seu contrato venceu em 11 de novembro de 2025, exatamente ao término dos 90 dias de experiência admissional, e não foi renovado pela empresa terceirizada, sem o pagamento de qualquer verba rescisória ou seguro-desemprego, por retaliação e punição “por não se submeter ao ambiente hostil imposto” pelo presidente, segundo a ex-funcionária.











