De Hugo Henud e Juliano Galisi, do Estadão – O Grupo Bandeirantes e o Estadão promovem neste domingo, 23, às 20h, o primeiro debate entre candidatos à Presidência na campanha eleitoral de 2026. TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan também fazem parte do pool que realiza o encontro, que já tem confirmadas as presenças de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Os dois nomes mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), também foram convidados, embora tenham indicado que não devem comparecer ao encontro.
O público poderá acompanhar o debate ao vivo por todas as plataformas digitais do Estadão. O jornal também fará uma live especial a partir das 18h, no YouTube do Estadão, com informações e análises antes do encontro entre os candidatos ao Palácio do Planalto.
Se Lula e Flávio não forem, os púlpitos reservados a eles permanecerão vazios durante a transmissão. O presidente decidiu não comparecer em meio ao descontentamento de sua campanha com os convites a Romeu Zema e Renan Santos, cujos partidos não atingem o número mínimo de parlamentares no Congresso que torna obrigatória a participação nos debates. Já Flávio tem condicionado sua presença nos confrontos à participação de Lula, sob o argumento de que, sem o petista, passaria a ser o principal alvo dos demais adversários.
Pablo Marçal (PRTB) também ficará fora do debate. Nesta quinta-feira, 20, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu impedir temporariamente o candidato de participar de debates e de aparecer no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão enquanto analisa seu pedido de registro. Inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, Marçal protocolou o pedido de registro de sua candidatura no sábado, 15, último dia do prazo estabelecido pelo TSE.
Com as ausências de Lula, Flávio e Marçal, o debate terá quatro candidatos no estúdio e dará aos participantes uma vitrine rara no início da campanha. O alto nível de desconhecimento desses nomes, somado à ausência dos líderes nas pesquisas, aumenta a importância do encontro para os demais concorrentes, avalia o cientista político do IDP Vinicius Alves.
A pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto mostra o tamanho desse desafio. Caiado é desconhecido por 43% dos eleitores, Zema, por 47%, e Renan Santos, por 65%. Os demais candidatos testados pelo instituto são desconhecidos por mais de 70% do eleitorado.
Ganhar projeção e furar a bolha das redes sociais é justamente uma das expectativas da campanha de Renan para o debate, de acordo aliados ouvidos pelo Estadão. Integrantes da equipe apostam na exposição proporcionada pelo primeiro confronto na televisão para dar mais tração à candidatura e alcançar segmentos além do eleitorado jovem, onde Renan tem desempenho melhor.
Na campanha de Zema, a avaliação é que o ex-governador de Minas Gerais deve explorar a ausência de Lula e Flávio para direcionar críticas aos dois adversários e, ao mesmo tempo, ampliar o espaço dedicado à apresentação de suas propostas.
Caiado, por sua vez, chega ao debate após uma mudança no comando de sua comunicação. Paulo Vasconcelos deixou a campanha nesta semana em meio a divergências sobre a estratégia eleitoral, após o ex-governador de Goiás intensificar os ataques a Flávio Bolsonaro. O movimento faz parte de uma tentativa de se apresentar como alternativa à direita ao candidato do PL, linha que a campanha pretende reforçar no debate.
As estratégias serão colocadas à prova em um formato que busca ampliar o confronto direto entre os candidatos. Com duração prevista de duas horas, o debate deste domingo permitirá que os participantes circulem livremente pelo estúdio e administrem o próprio tempo de fala.
Entenda as regras do debate
O regulamento prevê blocos em que os presidenciáveis poderão fazer perguntas e responder sem a intermediação dos apresentadores, além de rodadas com questionamentos de jornalistas do Grupo Bandeirantes. A dinâmica estabelece tempos equivalentes para os participantes, inclusive em réplicas e tréplicas.
No primeiro bloco, todos os candidatos vão responder, por dois minutos cada, a perguntas programáticas feitas pelos âncoras. A ordem de resposta, definida em sorteio, segue o posicionamento no estúdio, da esquerda para a direita: Renan Santos, Lula (se comparecer), Flávio Bolsonaro (se comparecer), Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema.
Depois, os candidatos terão o primeiro confronto direto, podendo caminhar no estúdio durante esse momento. Cada candidato escolhe quem vai responder e tem um minuto para fazer a pergunta. Quem for escolhido para responder terá quatro minutos, que terá que administrar para a resposta e para a tréplica. Enquanto isso, quem perguntar terá mais um minuto para a réplica.
O segundo bloco será dedicado a questionamentos de jornalistas para os presidenciáveis. Quem responder terá quatro minutos para dividir entre resposta e réplica, enquanto o candidato escolhido para comentar terá um minuto. Também neste caso, os candidatos poderão se movimentar no estúdio.
O terceiro bloco tem novo confronto direto entre os candidatos, com um minuto para a pergunta, um para a réplica e quatro minutos no total para resposta e tréplica.










