Com informações do UOL – O PT está passando por momentos difíceis em dois dos estados “mais lulistas” para as eleições de outubro. Atrás nas pesquisas, os governadores petistas da Bahia e do Ceará têm aderido aos caciques dos estados —e ao presidente Lula (PT)— para tentar manter o poder local.
Estes são os dois estados em que o presidente teve o melhor resultado em 2022. Só na Bahia, governada pelo partido desde 2007, Lula teve mais de 6 milhões de votos no segundo turno, com 72% contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No Ceará, que busca o quarto mandato petista seguido, foram 69,97% dos votos.
Por enquanto, para 2026, os resultados estão um pouco mais complicados. Pesquisas de intenção de voto e levantamentos internos tanto do PT quanto de oposicionistas indicam que não só os governadores Elmano de Freitas (PT-CE) e Jerônimo Rodrigues (PT-BA) não terão uma eleição fácil quanto o próprio Lula não chega ao mesmo alcance.
Na Bahia, Jerômino aparece atrás de ACM Neto (União). Uma pesquisa desta semana do instituto Séculus Análise e Pesquisa mostra o ex-prefeito de Salvador com 48% dos votos contra 31% do petista. Em novembro, a Real Time Big Data dava 44% a 35%.
Publicamente, petistas minimizam resultados. Eles lembram que, neste mesmo período de 2022, ACM, herdeiro político do avô, ex-governador Antônio Carlos Magalhães, aparecia com vitória em primeiro turno contra Jerônimo, então secretário de Educação de Rui Costa (PT), ministro-chefe da Casa Civil e pré-candidato ao Senado. No fim, o PT ganhou no segundo turno por uma diferença de quase 500 mil votos.
Em reserva, no entanto, o quadro é outro. Pessoas próximas ao governo baiano dizem que Jerônimo tem um viés “popular e viajante”. Gosta de andar pelo interior baiano, visitando prefeituras e obras, o que é muitas vezes uma qualidade, mas tem deixado de lado a parte mais gestora e política à frente do Palácio de Ondina.
Este é um perfil oposto ao de Rui e do senador Jaques Wagner (PT), governador entre 2007 e 2014. O ministro, que apadrinhou Jerônimo, é conhecido por seu modelo gestor e elogiado pela interlocução com a Alba (Assembleia Legislativa da Bahia), algo que aprendeu com Wagner, um dos quadros mais experientes da política baiana.

Não à toa, foram acionados. Os dois, que lançarão uma campanha puro-sangue ao Senado, têm rodado o interior com Jerônimo e ajudado na articulação política para a chapa. O atual vice-governador, Geraldo Júnior (MDB), candidato apoiado (e derrotado) pelo grupo à Prefeitura de Salvador em 2024, tornou-se desafeto de Rui. Segundo petistas, o objetivo é manter o importante apoio emedebista, mas, quem sabe, com outro nome.
No Ceará, o partido passa por momento semelhante, com um quadro um pouco mais favorável a Elmano. Nesta semana, a Paraná Pesquisas mostrou ex-governador Ciro Gomes (PSDB) quase nove pontos percentuais à frente do petista (44% contra 35%). No mês passado, a Real Time Big Data indicou empate técnico, com o atual mandante à frente (41% a 38%).
Elmano segue com uma relação mais próxima do ex-governador e hoje ministro Camilo Santana (PT), mas a presença do padrinho segue se mostrando necessária. Com uma espécie de união entre a centro-direita e a extrema direita no estado contra o PT, Camilo se comprometeu a deixar o Ministério da Educação até o início de abril, período máximo para descompatibilização, para ajudar na campanha.
Elmano também é bem avaliado, mas a ascensão de Ciro, que já foi o político mais popular do Ceará, assustou o PT. Tanto que aliados chegaram a ventilar um possível retorno de Camilo, que tem ainda mais quatro anos de senador, ao cargo —algo que teve de ser descartado pelo próprio, para tentar evitar o enfraquecimento do aliado.
Petistas cearenses usam a eleição de Fortaleza em 2024 como exemplo para se dizerem tranquilos. A campanha de reeleição do prefeito José Sarto (PDT) teve participação intensa de Ciro, mas ele não foi nem ao segundo turno. O deputado estadual Evandro Leitão (PT), encampado por esse grupo, acabou vencendo o deputado bolsonarista André Fernandes (PL), que também teve apoio do ex-governador, no segundo turno.
Para melhorar o quadro, o PT está cedendo às alianças. Mesmo que não anunciado oficialmente, o plano de lançar o deputado José Guimarães (PT-CE) ao Senado já foi abandonado em prol da manutenção da parceria com o senador Cid Gomes (PSB), que já disse descartar a reeleição, mas cobrou apoio ao deputado Júnior Mano (PSB) como seu sucessor. Na outra vaga, foi costurado o apoio do MDB com o retorno de Eunício Oliveira à Casa.
Os números de Lula também não são animadores. Pools internos mostram que o presidente segue à frente —e com folga— dos candidatos da direita, mas com porcentagem inferior às votações da última eleição.
Ainda é cedo, dizem petistas
Como no âmbito federal, petistas dizem que os adversários têm “jogado sozinho”. Na Bahia, petistas dizem que ACM prepara a candidatura há quatro anos, desde a derrota, e, no Ceará, o “retorno de Ciro”, nome que segue popular, foi amplamente divulgado e segue em destaque.
Explicação semelhante é dada em Brasília. Membros do Palácio do Planalto argumentam que o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas se dá porque ele “já está em campanha”, ao passo que o presidente “ainda não pode” e tem tocado o governo.
A aposta é que, tanto local quanto nacionalmente, assim que a campanha começar o quadro deverá mudar —com uma ajudinha da máquina. Para os estados, há ainda o fator Lula: lideranças argumentam que sua presença muda os quadros nos estados e ajudará nesse puxão para cima.












