EXCLUSIVO, por Luiz Roberto Marinho – O nome do empreendimento e os preços eram altamente convidativos: o Residencial Brisas do Porto, em Porto de Galinhas, no Litoral Sul, oferecia apartamentos entre R$ 120 mil e R$ 190 mil, com prazo de entrega de seis meses a um ano. Só que a obra mal saiu do chão e um só apartamento foi vendido para três compradores. Exatas 15 vítimas, ao menos, caíram no golpe das cinco pessoas presas na quarta-feira (17) pela polícia na Operação Mar de Ilusões.
Relatam as 69 páginas do inquérito policial que resultou nas cinco prisões e em 13 mandados de busca e apreensão, determinados pela juíza Blanche Maymone, da 17ª Vara Criminal, que os incautos eram atraídos por anúncios na plataforma OLX e nas redes sociais.
Eram muito bem recebidos no escritório da empresa Cotec Construções Técnicas, registrada na Receita Federal também como fábrica de móveis sediada em Itambé, na Zona da Mata Norte.
O escritório tinha duas salas nos fundos da revendedora de motocicletas novas e usadas Motorace, na Rua Antônio de Góes 254, no Pina, na Zona Sul. Diante dos preços atraentes numa das praias mais badaladas do país, das plantas dos apartamentos, da maquete e dos folhetos bonitos, estavam convictos de que faziam um dos melhores negócios da vida.

Os compradores eram levados ao canteiro de obras, em Porto de Galinhas, ainda nos alicerces, e fechavam o contrato de compra, depositando parte ou a totalidade dos preços acertados nas contas pessoais de Adalberto Inácio Pereira, 40 anos, dono da Cotec, ou da mulher dele, Layz Fernanda de Brito Martins Santos Pereira, 37 anos, que se dizia advogada da empresa e é dona da loja de motocicletas. As “vendas” começaram em 2022.
Aos poucos, os felizes mutuários foram perdendo os sorrisos. Iam à obra e constatavam que não saía do lugar. Alguns foram à Prefeitura de Ipojuca, município da Região Metropolitana do Recife a que pertence Porto de Galinhas, e foram informados de que não havia alvará registrado.
Descobriram posteriormente o pior: o futuro apartamento 103 do Bloco B havia sido vendido também a três pessoas, enquanto o 102 do Bloco A havia sido adquirido por dois compradores, ocorrendo o mesmo com o apartamento 302 do Bloco A.
Souberam, igualmente, que o terreno do Residencial Brisas do Porto foi retomado judicialmente pela dona, Ana Dilma Borges, e mesmo assim o casal Adalberto e Lays, que tem dois filhos e morava no Pina quando foi preso, na quarta-feira, continuou vendendo os apartamentos inexistentes.

Lays e Adalberto, cujo pai, Pedro Inácio Pereira, era apresentado como mestre de obras do empreendimento, mas não foi preso, e mais Pablo Lima de Santana, corretor de imóveis, José Guilherme da Silva Filho e Sérgio Henrique Cassiano da Silva, que comercializavam terrenos, foram detidos, como divulgou o blog com exclusividade.
A polícia rastreou via COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) movimentação de R$ 20,6 milhões entre 2021 e 2024. Indiciou os cinco por estelionato (pena de reclusão de um a cinco anos), lavagem de dinheiro (de três a 10 anos) e associação criminosa (reclusão de um a três anos).
Propôs o bloqueio de ativos deles e de outros seis envolvidos na Operação Mar de Ilusões no valor de R$ 1,975 milhão. As vítimas ingressaram na Justiça pedindo devolução do que pagaram. O nome da operação policial nunca foi tão apropriado.












