Por Ricardo Antunes – A governadora Raquel Lyra (PSD) tem um encontro considerado muito importante para a definição do seu palanque e de sua estratégia para tentar a reeleição. Um dia depois da reunião do partido liderado pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP), ela recebe um grupo de deputados para tentar apaziguar o clima ruim com o antigo aliado.
Os deputados Henrique Queiroz Filho, Adauto Santos e Cleiton Collins vão discutir uma proposta de entendimento após o estopim da crise, com a demissão do presidente da Ceasa, Bruno Rodrigues. “A governadora esticou a corda sem necessidade. Havíamos pedido um prazo de uma semana para resolver o impasse, mas ela preferiu ouvir Túlio Gadêlha e André Teixeira”, disse um deputado, atribuindo ao entorno dela a responsabilidade por tensionar ainda mais uma relação que já estava desgastada.
A governadora, segundo interlocutores do Palácio com quem conversei, também tem interesse nessa reconciliação, pois precisa — e muito — do tempo de rádio e televisão da federação. “Vamos ouvir a proposta. Nunca nos furtamos ao diálogo, mas era preciso pontuar as coisas”, afirmou.
E seria bom mesmo, já que a federação tem números que qualquer palanque gostaria de ter ao seu lado. Somente para se ter uma ideia, depois de fechada a janela partidária, o PSB, do presidente João Campos, ficou com 14 deputados. Por sua vez, a federação PP/União Brasil terminou com nada menos que 106 parlamentares.
Com esses números, o PSB ficaria com algo em torno de 2,6 inserções por dia, enquanto a federação teria cerca de 20 inserções diárias no tempo do guia eleitoral.

O PP, que já perdeu o Lafepe, o Porto do Recife e, agora, há pouco, a Ceasa, quer recompor seus espaços na administração estadual. “Acordo só é bom quando todo mundo gosta”, afirmou um deputado com quem conversei há pouco. “O que menos interessa hoje para a gente são cargos. O clima de confiança foi quebrado, e também não vamos baixar a cabeça para ninguém”, desabafou, lembrando que a bancada sempre deu apoio a todos os projetos do governo na Assembleia Legislativa.
Caso não haja um entendimento com a governadora, a federação já tem um plano B. Dudu da Fonte deve liberar a bancada para votar em quem quiser e poderá costurar uma aliança com o PL de Flávio Bolsonaro, com um candidato ao governo e outro ao Senado — no caso, o ex-prefeito Anderson Ferreira (PL), que vem pontuando bem nas pesquisas.
Outra possibilidade que está sendo discutida é não conceder o tempo do guia para nenhuma candidatura majoritária. O tempo ficaria apenas com os candidatos proporcionais, o que seria um enorme prejuízo para a governadora Raquel Lyra.
Seria uma espécie de “troco” à governadora pela inabilidade política dela e de seu entorno. “Será que, como João Campos, ela está pensando que já ganhou a eleição?”, provocou o mesmo interlocutor.
Aí, depois, em um eventual segundo turno, todos voltariam a sentar à mesa de negociação.









