Da Folha de São Paulo – A Receita Federal afirmou que manterá as operações de combate ao tráfico internacional de drogas, mesmo após a Polícia Federal (PF) demonstrar insatisfação com a atuação do órgão. Em nota, a Receita sustentou que as atribuições das duas instituições são complementares e orientou as equipes de fiscalização a seguirem atuando “com rigor técnico, prontidão e absoluta intolerância diante de indícios de utilização das cadeias logísticas internacionais para o narcotráfico, a extração ilegal de madeira e demais atividades criminosas”.
Policiais federais acusam auditores da Receita de “usurpação de função” e afirmam que algumas operações do órgão acabam prejudicando investigações conduzidas pela PF. A tensão entre as instituições se intensificou após peritos não encontrarem indícios de cocaína na apreensão de mais de 260 toneladas de madeira realizada pela Receita em junho. A ação havia sido anunciada como a maior da história do órgão.
A Receita argumenta que tem ampliado os investimentos em inteligência de dados e cooperação internacional para enfrentar as novas estratégias adotadas por organizações criminosas para ocultar drogas. Segundo o órgão, as apreensões cresceram significativamente nos últimos anos e, apenas em 2025, foram apreendidas uma quantidade recorde de 80 mil toneladas de entorpecentes e um aumento de 16% em relação a 2024. Do total, 75,3% correspondem à maconha, 22,2% à cocaína e 2,5% a outras drogas.
Nos bastidores, servidores da Receita afirmam que é preciso “lavar a roupa suja dentro de casa” e reforçam que as competências da Receita e da PF no controle de fronteiras são complementares. Sobre a carga de madeira apreendida, o órgão informou que ainda aguarda análises periciais do Instituto Nacional de Criminalística e ressaltou que a eventual ausência de confirmação dos indícios é uma “consequência natural e esperada em determinados eventos”, o que de acordo com a instituição, não deve desestimular a atuação firme contra organizações criminosas.











