Por Danilo Lavieri, Paulo Vinicius Coelho (PVC), Pedro Lopes e Thiago Rabelo, do UOL – A derrota para a Noruega não é apenas uma eliminação nas oitavas de final. Ela representa a pior campanha da seleção brasileira em uma Copa do Mundo desde o Mundial de 1990. Representa a terceira queda diante de uma seleção europeia que não pertence à primeira prateleira do continente e jamais foi campeã mundial, depois de Bélgica e Croácia. Representa a confirmação de que o Brasil chegará a pelo menos 28 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, o seu maior hiato sem títulos. Tudo isso tendo o técnico mais bem pago do Mundial.
Ainda assim, o discurso adotado pela direção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e pela comissão técnica foi o de tratar o resultado como consequência natural de um ciclo mal conduzido.
O executivo de seleções da entidade, Rodrigo Caetano, falou sobre a necessidade de um trabalho “dentro de uma normalidade”, com continuidade e tranquilidade para projetar a próxima Copa. O técnico Carlo Ancelotti afirmou que “não é o fim, é o princípio de um novo ciclo”.
As explicações têm fundamento. O Brasil viveu um ciclo caótico. Foram quatro treinadores entre o Qatar e os Estados Unidos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. A CBF atravessou uma guerra política, teve dois presidentes, e um deles foi afastado por corrupção. Houve improviso, indefinição e ausência de comando.
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Por outro lado, a Noruega, responsável por mais uma queda, é apenas a 31ª colocada do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol). É uma equipe que sofreu gols em todos os jogos da Copa e só foi vazada pelo Brasil quando a partida já estava decidida, aos 52 minutos do segundo tempo.
Se o caos administrativo explica parte dos problemas, não serve como salvo-conduto para o desempenho mostrado ontem em Nova Jersey.
Marrocos, por exemplo, com quem o Brasil empatou na estreia, chegou às quartas de final com um treinador que assumiu o time há apenas quatro meses. Conseguiu apresentar organização, competitividade e uma ideia clara de jogo mesmo sem um jogador como Vinicius Júnior, eleito o melhor do mundo.










