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Home Pernambuco

Gestão de João Campos teve superfaturamento de mais de R$ 16 milhões, diz TCE

Por Redação
13/06/2026 - 10:30
Auditoria revela irregularidades de R$ 16,2 milhões em contratos da educação

Auditoria revela irregularidades de R$ 16,2 milhões em contratos da educação

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Por Tácio Lorran, do Metrópoles – Auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), obtida pela coluna, encontrou irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Educação do Recife durante a gestão de João Campos (PSB). A análise, que apontou falhas como pagamentos superfaturados e antecipações indevidas, estima que o prejuízo ultrapasse os R$ 16,2 milhões.

Essas mesmas contratações da Prefeitura de Recife são alvo de investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Pernambuco. A operação Barriga de Aluguel, deflagrada em agosto do ano passado, investiga a existência de uma organização criminosa dedicada a fraudar licitações e contratos administrativos.

Em fevereiro deste ano, no entanto, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o trancamento de procedimento investigatório criminal. O magistrado considerou haver indícios de desvirtuamento.

A auditoria elaborada pelos técnicos do TCE-PE se debruçou sobre contratos de obras e serviços de engenharia geridos pela Secretaria de Educação do Recife entre 2022 e 2025. O relatório, porém, focou nas irregularidades presentes em dois contratos firmados pela Secretaria de Educação do Recife com o Consórcio Sienergy, que tem a empreiteira Sinarco como sócio principal.

A análise encontrou falhas como pagamentos por serviços não prestados, antecipações indevidas, pagamentos superfaturados, pagamentos em duplicidade, além do descumprimento de cláusulas contratuais.

Imagem colorida mostra trecho de relatório de auditoria na Secretaria de Educação do Recife | Metrópoles

A maior parcela do prejuízo estimado pelos auditores se refere a superfaturamento em contrato relativo à instalação de placas de energia fotovoltaica em unidades escolares. A auditoria constatou superfaturamento por preço unitário na ordem de 102,93%.

“Em síntese, a fiscalização da SEDUC/Recife atestou e propiciou a liquidação de despesas superfaturadas, com preço unitário notadamente superior ao praticado no mercado à época da contratação”, concluiu a análise. A irregularidade teria causado prejuízo no valor de R$ 9,7 milhões.

Outros aspectos abordados são a antecipação indevida de pagamentos e a falta de penalidade. A auditoria indica que em um dos contratos celebrados pela Secretaria de Educação com o Consórcio Sinergy teve pagamento por serviços que não haviam sido executados nas datas indicadas pela fiscalização da pasta.

Os serviços se referem à implantação de usinas fotovoltaicas em unidades educacionais no município comandado por João Campos. Em um dos casos, a fiscalização que viabilizou o pagamento ocorreu mais de mil dias antes da efetiva prestação do serviço.

“A irregularidade também foi fomentada pelo próprio Consórcio Sienergy, que atrasou a execução dos serviços sem apresentar justificativas plausíveis, beneficiando-se do recebimento antecipado de montantes expressivos por serviços não realizados na data de pagamento, propiciando atrasos consideráveis na entrega dos serviços pactuados.”

Imagem colorida mostra trecho de relatório de auditoria na Secretaria de Educação do Recife | Metrópoles

Percentual de subcontratação e pagamentos em duplicidade

A auditoria verificou que não houve autorização da fiscalização da secretaria para a subcontratação dos serviços, além de apontar a ausência de contratos firmados com terceiros para a execução das usinas fotovoltaicas.

Conforme informações prestadas pela secretaria à auditoria, uma empresa foi subcontratada para o fornecimento de geradores. A auditoria, no entanto, frisou que o gerador fotovoltaico representa a principal parcela dos serviços abrangidos pelo objeto do contrato e que, portanto, verifica-se que o limite máximo de subcontratação previsto foi ultrapassado.

A análise destacou ainda que um montante de mais de R$ 514 mil foram pagos sob um contrato, mas já havia sido previamente pago sob outro instrumento. Segundo a apuração, o fiscal do contrato atestou irregularmente os serviços apesar de possuir plena ciência de que eles já haviam sido atestados e pagos em outro contrato.

Também é questionada a execução de serviços por empresa estranha à contratação. Nesse sentido, a auditoria cita que houve clara transferência de responsabilidade do Consórcio Sienergy para a empresa Alca Engenharia Ltda, que teria sido terceirizada, assumindo obrigações de compra de materiais.

Sugestões e encaminhamentos

A auditoria apresentou uma série de propostas de deliberação ao TCE que visam medidas como o ressarcimento de valores aos cofres públicos municipais, a punição dos agentes e servidores públicos envolvidos na irregularidade.

O relatório técnico também sugere a declaração de inidoneidade do Consórcio Sienergy e da empresa ALCA Engenharia Ltda por fraude, além da ativação e efetivo funcionamento de todas as usinas fotovoltaicas que foram instaladas nas unidades educacionais.

Entre outras medidas, o relatório pede o envio imediato do documento à Polícia Civil do Estado de Pernambuco e ao Ministério Público do Estado de Pernambuco, para dar prosseguimento com as devidas medidas cabíveis e pertinentes.

O que diz a Prefeitura do Recife

Em nota enviada à coluna, a Prefeitura do Recife afirmou que não há qualquer irregularidade na execução dos contratos mencionados no relatório, que ainda é preliminar, sobre a Secretaria de Educação.

“A administração municipal reforça que estranha o fato de o documento em questão ter sido repassado à reportagem do Metrópoles de forma seletiva, sem a inclusão dos esclarecimentos já apresentados ao órgão de controle”, afirmou. “O que, claramente, demonstra o uso político e desvirtuado do trabalho sério da Corte de Contas, que sequer julgou o processo”.

Tags: destaqueJoão CamposTCE-PE
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