Do O Globo – As negociações para colocar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) movimentaram os bastidores da campanha, mas seguem travadas diante da resistência das lideranças da federação União Brasil-PP em formalizar apoio à candidatura de oposição. Publicamente, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, atribui o impasse ao acordo de neutralidade firmado com o governo. Nos bastidores, a justificativa mais recorrente é o receio de reações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo aliados de Flávio Bolsonaro ouvidos pela coluna, dirigentes do União Brasil, do PP e do Republicanos citam “pressão” e “recomendações” de ministros do STF para evitar uma aliança formal com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O temor envolve tanto a possibilidade de sofrerem retaliações por apoiar um adversário da Corte quanto o risco de o próprio Flávio ser alvo de alguma medida judicial durante a campanha.
Três dirigentes relataram que procuraram ministros do Supremo ou conversaram com eles em eventos sociais para perguntar se uma aliança com o senador poderia trazer problemas. Segundo esses relatos, a resposta recebida foi sempre no sentido de que seria “melhor não”, o que fez as negociações perderem força.
Flávio Bolsonaro é alvo do inquérito que investiga o destino dos recursos que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado ao filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Reportagens do Intercept apontam que Vorcaro repassou R$ 61 milhões à produção por meio de um fundo administrado pelo advogado de imigração do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL).
Além disso, o senador mantém relação próxima com políticos do Rio de Janeiro investigados em outro inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes sobre supostos vínculos com o crime organizado. Embora Flávio não seja investigado nesse caso, integrantes do Centrão temem que o avanço da apuração possa alcançá-lo durante o período eleitoral.
Outra preocupação envolve investigações conduzidas pelo ministro Flávio Dino sobre o uso de emendas parlamentares, que atingem políticos tanto do Republicanos quanto do União Brasil. Lideranças dessas legendas avaliam que uma aproximação formal com o bolsonarismo poderia aumentar o desgaste junto ao STF.
A cautela não se restringe às cúpulas partidárias. Pré-candidatos a deputado e senador também demonstram receio de sofrer desgaste eleitoral caso associem suas campanhas à de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, uma eventual candidatura de Tereza Cristina à vice-presidência poderia reduzir parte da resistência dentro do Centrão. Até o momento, porém, a senadora mantém a posição de que só aceitará integrar a chapa caso o PP embarque oficialmente na campanha, cenário que ainda permanece incerto.








