Do bastidor.pe – Em meio à crescente especulação imobiliária no Recife, impulsionada pela transformação urbana do Cais José Estelita e pela vaporização acelerada de uma das áreas mais disputadas da capital, uma mudança silenciosa começou a chamar a atenção de ambientalistas e especialistas em planejamento urbano.
Enquanto novos empreendimentos avançavam sobre a região, um novo terreno também surgia às margens da Bacia do Pina.
Ao lado do Cabanga late Clube, uma área que até poucos anos atrás era regularmente ocupada pelas marés, passou, gradativamente, a apresentar características de terra firme.
Levantamento realizado pelo bastidor.pe com base em imagens de satélite indica que a área transformada supera 24 mil metros quadrados, o equivalente a aproximadamente 3,4 campos oficiais de futebol.
Entre 2019 e 2026, o local ganhou uma extensa superfície consolidada, coberta por vegetação e posteriormente incorporada ao projeto de expansão do clube.
A coincidência temporal chama atencão. Em 2020, o Cabanga recebeu autorização ambiental para executar serviços de dragagem do canal de acesso à marina. Segundo informações divulgadas pela empresa responsável pelo licenciamento ambiental, a intervenção previa a retirada de sedimentos.
Foi a partir desse período que a paisagem começou a mudar.
A comparação das imagens de satélite revela que, após o início das intervenções, a área localizada ao lado da marina passou por uma rápida transformação ambiental. O espaço anteriormente sujeito à influência diária das marés foi sendo progressivamente ocupado por sedimentos, a vegetação se consolidou e um novo terreno passou a fazer parte da paisagem da Bacia do Pina.
Nos anos sequintes, esse mesmo terreno passou a integrar o projeto arquitetônico de expansão do Cabanga late Clube. Documentos mostram que o espaço deverá receber novos equipamentos, como restaurante, piscina, quadras esportivas, áreas de convivência e ampliação da marina.








