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Home Política

Múcio defende penas diferentes para quem ‘quebrou cadeira’ e ‘armou’ golpe

Por Redação
11/02/2025 - 08:30
Ministro da Defesa, José Múcio,durante o Roda Viva, da TV Cultura

Ministro da Defesa, José Múcio,durante o Roda Viva, da TV Cultura

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Do Estadão – O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, defendeu nesta segunda-feira, 10, no Roda Viva, penas diferentes aos envolvidos nos ataques do 8 de janeiro. Para ele, soltar inocentes ou quem teve menor envolvimento ajudaria a “pacificar o País”

Múcio adotou um tom dúbio ao comentar o episódio: embora tenha usado a palavra “golpe”, evitou cravar que houve uma tentativa, dizendo que isso só ficará claro “se nos inquéritos aparecerem as denúncias”.

“Eu acho que na hora que você solta um inocente ou uma pessoa que não teve um envolvimento muito grande (no 8 de janeiro) é uma forma de você pacificar (o País). Esse País precisa ser pacificado. Ninguém aguenta mais esse radicalismo. A gente vive atrás de culpados”, afirmou o ministro. Ele defendeu deixar o “revanchismo” de lado e lembrou que a decisão sobre uma anistia cabe ao Congresso Nacional.

O ministro José Múcio reforçou sua posição sobre a necessidade de dosimetria nas punições dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, há aqueles que “quebraram uma cadeira” e outros que realmente armaram o golpe.

STF mantém cronograma de investigação do 8 de janeiro após atentado na Praça dos Três Poderes

“Se foi um golpe, quem organizou que pague. E aqueles que tomaram seus ônibus, estavam lá tirando foto do celular? Tinham os que entraram quebrando, os que ficaram do lado de fora. Tem de todo tipo. Você não pode dar a mesma pena a quem armou, quem financiou, a uma pessoa que foi lá encher o movimento”, defendeu.

Ao longo da entrevista, Múcio falou sobre a expectativa de identificar os verdadeiros culpados e dissipar a “nuvem de suspeição” sobre as Forças Armadas. O ministro adotou um tom ambíguo ao comentar o 8 de janeiro: chamou o evento de “golpe”, mas também afirmou que nós só “vamos saber se havia um golpe verdadeiramente arquitetado se nos inquéritos aparecerem as denúncias”.

O ministro chegou a dizer que não viu “uma arma”, que as três Forças “não tinham nada a ver” com o ato e que só os “civis foram, os militares, não”.

“Sou capaz de dizer que quem organizou aquilo (invasão às sedes dos Três Poderes) não foi. Quem desejava aquilo, desistiu, desapareceu. Ficou só aquele enchimento que fez aquele quebra-quebra todo”, declarou ele.

Ministro da Defesa relata início difícil no cargo e diz que fase crítica já passou
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Saída do governo

Múcio disse na entrevista que quis deixar o governo, mas ficou após apelos de Lula. Segundo ele, o presidente argumentou que sua saída criaria um novo problema para o governo e não era desejada pelos comandantes militares.

“Ele (presidente Lula) disse: ‘Olha, Múcio, nós estamos em uma fase difícil, nós somos amigos, eu sei das suas pretensões, que é estar mais à disposição da família e dos amigos, mas eu preciso que você fique, porque estamos com alguns desafios e não queria abrir mais um problema. E os comandantes militares também não querem’”, relatou o ministro, que classificou o apelo de Lula como um “pedido de amigo”.

Múcio acrescentou que o governo enfrenta desafios na economia e na política e há uma reforma ministerial em andamento. “Isso tudo é uma mudança muito grande. Nós não tivemos ainda voo de brigadeiro”, afirmou. Ele evitou confirmar se ficará até o fim do ano e disse que, primeiro, é preciso “atravessar o ano”.

Múcio lembrou que teve um começo difícil na pasta e que, no início, os comandantes das Forças Armadas não o recebiam. Diante disso, recorreu a Jair Bolsonaro para ajudá-lo a garantir uma “transição tranquila”. Hoje, ele diz que a “fase mais complicada já passou”, e por isso considerou deixar o ministério.

“O início foi péssimo. Do dia 8 (de janeiro) até abril, eu me senti órfão. A direita zangadíssima porque os militares não aderiram ao golpe. E a esquerda muito zangada porque achava que os militares tinham criado aquele golpe. Na realidade, nós devemos a eles não ter tido golpe do dia 8.”

Crise com a Marinha

O ministro da Defesa afirmou no Roda Viva que o vídeo da Marinha interpretado como uma crítica velada ao pacote de corte de gastos do ministro Fernando Haddad foi uma “imprudência”. “Aquele vídeo foi absolutamente uma imprudência. Foi inoportuno, num momento péssimo.” Ele acrescentou que foi cobrado por Lula sobre o episódio e que tanto o presidente quanto Haddad ficaram indignados.

No vídeo produzido para o Dia do Marinheiro, a Marinha, então alvo do pacote de cortes, questionava se havia “privilégios” na instituição. Múcio disse que não cogitou demitir o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, por considerar que a medida não seria “sensata”.

“Está aí a explicação do porquê o ministro da Defesa tem que ser um político: para fazer o meio de campo entre as Forças e o Executivo, porque política não é a expertise deles”, contou Múcio. “Eu conversei com ele (Olsen). Trocar (o comandante), começar tudo de novo, com todos os problemas que vivemos no país – juros altos, inflação –, que, graças a Deus, essas coisas estão começando a ser debeladas… Achei que seria mais importante ele fazer um mea-culpa. Eu o levei ao presidente da República, onde ele reconheceu (o erro).”

Tags: 8 de JaneiroMinistro
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