Por Ricardo Antunes – Na reta final das convenções partidárias, o ex-prefeito João Campos (PSB) resolveu mostrar à governadora Raquel Lyra (PSD) como se joga na política. Atrás nas pesquisas, o socialistas resolveu agitar o cenário, e mira aliados insatisfeitos do Palácio.
Após trazer a Federação PRD/Solidariedade, João mira a Federação União Progressista, liderada pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP). E conta um aliado de peso: o prefeito de São Lourenço da Mata, Vinícius Labanca (PSB).
Labanca já foi filiado ao PP por um breve período, quando ficou na suplência como deputado estadual. À frente do município pelo segundo mandato consecutivo, tem relações estreitas com Da Fonte, e vem tentando capitalizar isso a favor de seu pré-candidato a governador.
Eduardo foi escolhido pela federação como pré-candidato ao Senado, mas a governadora estupidamente tem trabalhado pelo ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil).
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Contrariando todas as regras da política, Raquel criou uma indisposição grande com o líder de uma federação que tem 11 deputados estaduais, dos quais dez são do PP, e quatro federais, sendo três da legenda de Eduardo.
O cacique dos progressistas, nesse caso, abriria mão da disputa pelo Senado e concorreria à reeleição numa aliança com João Campos. Para tal, a Prefeitura do Recife abriria as portas para suas indicações, como ocorreu na Federação PRD/Solidariedade.
Eduardo tem dito a aliados que foi correto o tempo todo com a governadora, mas que não estaria recebendo o mesmo tratamento. Com a chave do cofre da Federação União Progressista e o destino do tempo de propaganda eleitoral da mesma.
Da Fonte levaria de pronto pelo menos seis deputados estaduais para o palanque do PSB. Outros ainda se manteriam com Raquel, mesmo que sem estarem prestigiados por ela. “Vamos ficar com nosso lider’, me disse um deputado na “bomba” que soltamos mais cedo.
A movimentação seria catastrófica para Raquel, que ficaria com quase um terço do tempo de propaganda e das inserções que João Campos. Fora o pior dos mundos, que teria que ser uma chapa ao Senado com o que lhe restaria, que seriam Fernando Dueire (PSD) e Túlio Gadelha (PSD).
O que geraria uma chapa “puro sangue”, algo ridículo para quem está sentado na cadeira e sem capacidade de atrair apoios políticos – e ainda perdendo os que possui, mesmo liderando as pesquisas. Algo confuso demais para qualquer eleitor e analista político dissertar sobre. “Ninguém aguenta mais esse lenga-lenga” é o comentário que mais se ouve nas redes sociais.
Alertas vêm sendo dados, mas a governadora ignora a todos, sem um propósito claro. E ainda amplia a imagem de péssima cumpridora de acordos, algo que lhe acompanha desde a Prefeitura de Caruaru. A soberba palaciana parece inibir a capacidade de aprender, e daí as urnas podem reservar um remédio amargo e tardio.
Ou consagrar algo que beira a tirania. As cartas estão na mesa. Só não enxerga que não quer e as paixões são péssimas conselheiras, principalmente na politica. É isso.









