Por Fábio Serapião, do UOL – A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, planejava ações contra quem considerava seu adversário.
As conversas embasaram o pedido da PF ao Supremo para que o banqueiro fosse preso novamente. O ministro do STF André Mendonça determinou a prisão, que ocorreu nesta manhã.
O banqueiro integrava um grupo chamado “A Turma”, em um aplicativo de conversas. No grupo, a PF encontrou diálogos sobre ações contra supostos adversários do banqueiro — entre eles, jornalistas.
A PF descobriu que Vorcaro também se valia do serviço de policiais aposentados para o monitoramento de adversários.
Outro lado: a coluna tenta contato com o advogado Pierpaolo Bottini, que atua na defesa de Vorcaro, e o texto será atualizado em caso de manifestação.
Cunhado de Vorcaro também é alvo da PF
Além da prisão de Vorcaro, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é um dos alvos – a defesa disse que ele vai se entregar.
Segundo a PF, o objetivo “é investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
PF, em nota
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Ordem de Mendonça
A operação de hoje é a primeira autorizada pelo ministro André Mendonça desde que assumiu a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal. As investigações sobre a fraude do Master foram parar na corte após o ministro Dias Toffoli aceitar um pedido da defesa de Vorcaro para retirar o caso da primeira instância.
Na relatoria do processo, Toffoli passou a tomar uma série de decisões consideradas controversas e que geraram atrito com a Polícia Federal.
Ele deixou o caso no mês passado, depois que a PF entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório com menções ao nome dele e conversas do ministro do Vorcaro, conforme revelou o UOL em janeiro. Toffoli ainda assumiu ser sócio de uma empresa que recebeu pagamentos do banqueiro.
Segunda prisão do banqueiro
Vorcaro havia sido preso na noite de 17 novembro, quando passava no raio-x do Aeroporto de Guarulhos para embarcar rumo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, ele alegou que a viagem tinha o objetivo de formalizar a venda do Master a um grupo de investidores estrangeiros.
Onze dias depois, o banqueiro foi solto após ordem da desembargadora Solange Salgado, do TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), assim como outros quatro investigados na Compliance Zero detidos naquele mês. A magistrada entendeu que os riscos para a investigação poderiam ser mitigados com outras medidas, como o uso de tornozeleira eletrônica e a retenção do passaporte de Vorcaro.
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A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, planejava ações contra quem considerava seu adversário. A PF descobriu que Vorcaro também se valia do serviço de policiais aposentados para o monitoramento de adversários. pic.twitter.com/AI7KfptRFX
— Ricardo Antunes (@blogricaantunes) March 4, 2026












