Do Estadão – O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, escreveu em conversas por aplicativo com a namorada, Martha Graeff, que já deu festas com 300 garotas de programa, e que isso fazia parte de seu “business” (negócio, em inglês). Na última semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) eventuais provas sobre a participação de autoridades federais em festas de Vorcaro.
Os diálogos foram interceptados pela Polícia Federal (PF) a partir da quebra de sigilo telemático de Vorcaro. O material foi compartilhado com a CPI do INSS e obtido pela Coluna do Estadão. Procurado, Vorcaro não respondeu.
Em 18 de agosto de 2025, Vorcaro foi cobrado pela namorada por seguir 16 “putas” em uma rede social. “Tenho nojo do tipo de trabalho que essas mulheres fazem”, acrescentou Graeff, referindo-se a garotas de programa.
Vorcaro, então, disse que já chegou a seguir 100 dessas mulheres, e que não vira que ainda seguia essas 16. “Mas eu não fiquei com essas mulheres. Fazia parte do meu business. Nunca te escondi o que fiz e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, disse o banqueiro.

Mais cedo, a defesa do empresário solicitou que o STF investigue o vazamento de informações do conteúdo de seu celular, incluindo “conversas íntimas” e “supostos diálogos com autoridades e até com o ministro do STF Alexandre de Moraes”.
TCU pediu eventuais provas de participação de autoridades em festas de Vorcaro
O TCU tem uma investigação em curso para apurar a eventual participação de autoridades federais em festas promovidas em Trancoso (BA) pelo dono do Master, que voltou a ser preso nesta semana. O caso é relatado pelo ministro Jorge Oliveira e foi reforçado por um pedido do Ministério Público de Contas.
No último dia 28, Oliveira pediu ao relator do processo no STF, ministro André Mendonça, que compartilhe eventuais provas sobre o assunto. O TCU deve “adotar todos os meios para avaliação de eventuais irregularidades”, escreveu Jorge Oliveira.
Segundo o ministro do TCU, o caso “possui conexão umbilical com os graves fatos que permeiam a crise e a liquidação do Banco Master” e, por ter “alta sensibilidade e relevância”, deve seguir tramitando.
Vorcaro voltou a ser preso pela PF
A PF prendeu Vorcaro na última quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco.
Essa nova fase investiga a invasão de dispositivos informáticos praticada por uma organização criminosa ligada a Vorcaro e outros aliados dele, conforme a PF. Também estão sob apuração os crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro.
A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro colaborou “de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.












