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Home Economia

Após privatização, parque mais famoso de SP ficou com “preços de aeroporto”

Por Lazaro Senna
22/03/2025 - 17:00
Alta de preços gerou críticas por parte de frequentadores

Alta de preços gerou críticas por parte de frequentadores

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Do Metrópoles — Tigela de açaí por R$ 43; tapioca com manteiga por R$ 28; espaguete individual, R$ 105; um expresso, R$ 12; água mineral, de R$ 5 a R$ 10; e o litro da água de coco, R$ 27. Estes são alguns dos “preços de aeroporto” em cardápios espalhados pelo Parque Ibirapuera pós-concessão, que tem chamado a atenção e gerado críticas por parte de frequentadores.

O Ibirapuera de hoje, pouco depois de completar 70 anos, mudou. São várias as marcas e logotipos que se misturam com o extenso verde do local, elevando o padrão de consumo do parque a um patamar similar ao de bairros ricos da vizinhança, onde estão alguns dos metros quadrados mais caros da capital paulista.

O local, que ainda é um parque público, recebe moradores de diversas regiões da cidade, com perfis socioeconômicos variados, principalmente nos fins de semana, quando a movimentação nos pontos de ônibus é enorme.

Em 2019, após negociações iniciadas por João Doria e concluídas por Bruno Covas (ambos do PSDB), o Ibirapuera foi entregue por concessão à Urbia, um braço da construtora Construcap. Era a cereja do bolo em um lote de seis parques administrados pela prefeitura que foram cedidos à empresa. A concessionária tinha, entre outros, a obrigação de investir R$ 105 milhões no total — e afirma que só no Ibirapuera já foram R$ 226 milhões. A concessão vale por 35 anos, com outorga fixa de R$ 70,5 milhões.

Ibirapuera foi vendido durante gestões Doria e Covas

Desde então, o parque teve melhorias. Os banheiros viraram uma espécie de “cartão de visitas” e é prova de que o local realmente evoluiu em comparação com o passado. Apesar disso, os preços dos produtos vendidos lá dentro chamam a atenção e até assustam.

Uma família formada por dois adultos e três crianças que resolva tomar uma água de coco e chupar um picolé cada pode, facilmente, gastar R$ 115 por lá. Se pararem em uma das lanchonetes do local e cada um quiser comer apenas um misto quente (pão, presunto e queijo prato), corre-se o risco de desembolsar mais R$ 160 no total.

De acordo com a Urbia, ainda que haja uma “inquietação” sobre os valores praticados, o preço praticado é necessário para a manutenção do local. A concessionária disse, em entrevista ao Metrópoles, que o quesito alimentação era, no passado, o que constava com a nota mais baixa na avaliação feita pelos frequentadores, daí a necessidade de buscar melhorias.

Entre elas, dois restaurantes foram construídos dentro do parque; Um terceiro deverá ser lançado em breve, na altura do portão 7. Os preços são, também, fator que gera comentários entre os frequentadores. Há quem ache justo pagar; outros, porém, se indignam.

Restaurantes e barraquinhas cobram preços bem acima da média

O empresário Elaldo Barbosa Miguel, 47 anos, afirma que os valores cobrados no parque são “exorbitantes” e prejudicam principalmente pessoas de baixa renda. “Está irreal, até porque são públicos de faixas sociais diferentes. Para quem tem poder aquisitivo, tranquilo. Mas percebo que vem muitas pessoas do extremo sul que não conseguem acompanhar esses preços, que são muito altos”, diz. “Acabei de comprar duas águas de coco e deu R$ 26”, afirma.

Montar um desses restaurantes no Ibirapuera pode exigir investimento de até R$ 6 milhões — a Urbia entrega só a “casca” e todo o restante vem do interessado. A concessionária abocanha de 15% a 20% do faturamento.

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Lazaro Senna

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